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Inovação na saúde exige gestão estratégica para transformar tecnologia em melhor atendimento

A transformação digital começa a ocupar um espaço cada vez maior na assistência à saúde no Brasil. Telessaúde, prontuários eletrônicos, monitoramento remoto e ferramentas de inteligência artificial já fazem parte da rotina de diferentes serviços e devem ganhar escala nos próximos anos. O avanço, no entanto, traz um desafio que vai além da aquisição de equipamentos e sistemas: fazer com que a tecnologia resulte efetivamente em atendimento mais rápido, seguro e eficiente.

O assunto ganhou força nos últimos dias com a apresentação, pelo Ministério da Saúde, da Central de Comando das UTIs Inteligentes do Sistema Único de Saúde (SUS). Instalada no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a estrutura monitora em tempo real sinais vitais de pacientes internados em seis hospitais do País. Atualmente, são 60 leitos inteligentes em funcionamento, com previsão de expansão para 280 leitos em 14 instituições.

A tecnologia permite acompanhar informações como frequência cardíaca, pressão arterial e níveis de oxigênio e identificar alterações que podem indicar a piora do quadro clínico. A proposta é antecipar situações de risco e oferecer informações adicionais para auxiliar as equipes responsáveis pelo paciente. A decisão clínica, entretanto, continua nas mãos dos profissionais de saúde.

Na avaliação da enfermeira, auditora e especialista em gestão de saúde Rubênia Vasconcelos, a incorporação dessas ferramentas representa uma mudança importante na organização da assistência, mas exige que a modernização tecnológica seja acompanhada pela revisão dos processos internos das unidades.

“Não adianta termos uma grande quantidade de informações disponíveis se elas não estiverem integradas à rotina assistencial e se as equipes não estiverem preparadas para utilizá-las. Tecnologia precisa significar capacidade de antecipar riscos, reduzir falhas e tomar decisões com mais segurança. É aí que gestão e assistência precisam caminhar juntas”, afirma.

Saúde mais conectada

Outra frente dessa transformação é a telessaúde. O governo federal pretende levar o serviço a 100% das unidades do SUS nos próximos quatro anos. Atualmente, mais de 80% da rede já conta com algum tipo de tecnologia relacionada ao teleatendimento, e mais de 12 milhões de atendimentos foram realizados diretamente pelo Ministério da Saúde em parceria com universidades.

A expansão pode ter impacto especialmente relevante em regiões onde a distância e a disponibilidade de profissionais especializados ainda dificultam o acesso. A telessaúde permite, por exemplo, consultas, avaliações entre profissionais e diagnósticos realizados a distância, funcionando de maneira complementar ao atendimento presencial.

Para Rubênia, porém, ampliar o acesso tecnológico é apenas uma parte do processo. A qualidade da informação registrada, a integração dos sistemas, a definição dos fluxos assistenciais e o acompanhamento dos resultados precisam avançar na mesma velocidade.

“Quando falamos em transformação digital na saúde, não estamos falando apenas de computadores ou inteligência artificial. Estamos falando de uma nova forma de organizar o cuidado. Isso envolve desde o registro correto das informações até o acompanhamento do paciente, a gestão de leitos, os protocolos e a comunicação entre os diferentes profissionais”, observa.

Nesse cenário, a enfermagem ocupa uma posição estratégica. Por acompanhar o paciente de forma contínua e participar diretamente dos processos assistenciais, o profissional de enfermagem está entre aqueles que mais lidam com informações clínicas, protocolos, indicadores e identificação precoce de alterações no estado de saúde.

Rubênia destaca que a tecnologia pode reduzir etapas burocráticas e ampliar a capacidade de acompanhamento das equipes, mas não substitui a avaliação profissional. “A ferramenta pode indicar um risco, organizar informações e chamar atenção para uma alteração. Mas existe uma dimensão do cuidado que depende da observação, da experiência e da capacidade de avaliação do profissional. A tecnologia deve apoiar esse trabalho, e não afastar o profissional do paciente.”

Gestão dos dados

A digitalização também abre outra discussão: o uso das informações produzidas diariamente pelos serviços de saúde. Dados sobre tempo de internação, ocupação de leitos, ocorrência de eventos adversos, reinternações e evolução dos pacientes podem servir para identificar gargalos e orientar mudanças na assistência.

É nesse ponto que auditoria e gestão ganham importância. Mais do que verificar procedimentos realizados, a análise sistemática dessas informações permite avaliar a qualidade dos processos e identificar onde recursos, equipes e estruturas podem ser utilizados de maneira mais eficiente.

“A saúde produz uma quantidade enorme de dados todos os dias. O desafio é transformar esses dados em informação capaz de melhorar a assistência. Uma gestão eficiente precisa saber onde estão os gargalos, quais processos estão apresentando falhas e quais resultados estão sendo entregues ao paciente”, explica Rubênia.

Para a especialista, a expansão das novas tecnologias tende a tornar essa discussão ainda mais relevante nos próximos anos. Quanto maior a capacidade de produzir e cruzar informações, maior também será a necessidade de profissionais preparados para interpretar os dados e transformá-los em decisões.

“O futuro da saúde será cada vez mais tecnológico, mas continuará essencialmente humano. O ganho verdadeiro acontece quando inovação, gestão e conhecimento profissional conseguem trabalhar juntos. No fim, o objetivo continua sendo o mesmo: oferecer um cuidado mais seguro, eficiente e acessível para quem precisa”, conclui Rubênia Vasconcelos.

By Jordan Vall

É jornalista, com uma maior atuação na cultura e entretenimento. Deu início a sua carreira na televisão, na TV Unifor, como produtor, repórter e apresentador do principal jornal da emissora universitária. O profissional já foi produtor e comentarista de um quadro do Programa Matina, na TV União. No “Deu O Que Falar”, quadro semanal da emissora aberta, comentava sobre o mundo dos famosos, levava pautas relevantes para a sociedade, através das notícias das celebridades. Foi durante 2 anos, produtor, diretor e repórter na TV Otimista e atualmente é assessor de comunicação, CEO na Assertiva Comunicação e Colunista do Portal Conexão Magazine (Portal de Notícias no Rio de Janeiro). O jornalista também é apresentador do Mesa de Negócios no Grupo Opinião Ceará. Como amante da moda, foi convidado para ser jurado da 6ª e 7ª edição do Salão de Moda Ceará. Além de todas essas atuações, Jordan é CEO/Fundador e repórter no IN Fluxo Portal, tratando de pautas culturais, cobertura de eventos e muito mais. O profissional também atua como modelo e influenciador digital. Instagram: @jordan_vall / contato comercial: jordanvall@influxoportal.com

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