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Sono, tabagismo, álcool e peso: como os hábitos de vida podem afetar a fertilidade

Quando a gravidez demora a acontecer, a rotina entra rapidamente no banco dos réus. A mulher começa a se perguntar se deveria emagrecer, dormir mais, abandonar completamente a taça de vinho do fim de semana ou começar a tomar algum suplemento indicado nas redes sociais. No meio de tantas recomendações, separar evidência científica de promessa pode ser difícil.

O estilo de vida realmente pode interferir na saúde reprodutiva, mas os fatores não têm o mesmo peso e, principalmente, não explicam sozinhos todos os casos de infertilidade.

Para a Dra. Rosaly Bustelo Saab, ginecologista e especialista em Reprodução Humana, o tabagismo está entre os hábitos com evidências mais consistentes de prejuízo à fertilidade. O cigarro está associado a efeitos negativos sobre a função reprodutiva e também deve ser considerado quando o casal começa a planejar uma gestação.

“O tabagismo é um dos pontos sobre os quais conseguimos falar com mais segurança. Ele não afeta apenas pulmões e sistema cardiovascular. Também está relacionado à saúde reprodutiva. Por isso, abandonar o cigarro é uma recomendação importante para quem deseja engravidar, e essa orientação não deve ser direcionada exclusivamente à mulher. A saúde do parceiro também faz parte dessa equação”, explica Rosaly.

Peso importa, mas fertilidade não pode virar uma discussão estética

A obesidade também pode repercutir na fertilidade, especialmente por sua relação com alterações metabólicas e hormonais e, em algumas mulheres, com distúrbios de ovulação. Mas transformar a balança em uma sentença é um erro.

“Não existe um peso mágico a partir do qual uma mulher engravida ou deixa de engravidar. Precisamos avaliar composição corporal, metabolismo, regularidade dos ciclos, ovulação e condições associadas. O objetivo não é enquadrar a paciente em um padrão estético, mas melhorar sua saúde metabólica e reprodutiva”, ressalta.

O mesmo raciocínio ajuda a entender o papel da atividade física. Sair do sedentarismo traz benefícios importantes para a saúde geral e metabólica, mas exercício não deve ser apresentado como uma fórmula capaz de resolver isoladamente uma dificuldade para engravidar.

“Uma rotina ativa faz parte de um estilo de vida saudável e pode ser especialmente relevante quando existem alterações metabólicas. Mas infertilidade é multifatorial. Não podemos dizer a uma paciente que ela não engravidou porque não fez academia ou porque deixou de cumprir determinada meta de exercícios”, afirma a especialista.

Álcool: quanto é demais para quem está tentando engravidar?

O álcool costuma gerar mais dúvidas. Quando se fala especificamente em fertilidade feminina, os estudos sobre consumos menores ou moderados não apresentam respostas tão definitivas quanto as observadas em relação ao cigarro. Isso, no entanto, não transforma o excesso em algo indiferente.

“Quando existe um projeto de gestação, vale rever o consumo de álcool dentro do conjunto de hábitos. Não precisamos criar terrorismo em torno de uma taça ocasional antes da gravidez, mas também não faz sentido ignorar um consumo frequente ou elevado. E, uma vez confirmada a gestação, a recomendação é não consumir bebida alcoólica”, orienta Rosaly.

Dormir mal pode atrapalhar?

O sono entrou definitivamente na conversa sobre fertilidade. Noites ruins interferem em diversos processos do organismo, incluindo regulação hormonal, metabolismo e saúde emocional. O cuidado está em não transformar uma relação biologicamente plausível em uma explicação simplista para a infertilidade.

“Não é porque uma mulher passou uma semana dormindo mal que ela se tornou infértil. O que nos interessa é um padrão de vida. Sono cronicamente inadequado, estresse, sedentarismo e alterações metabólicas podem aparecer juntos. Precisamos olhar para esse contexto sem criar mais uma cobrança para quem já está vivendo a ansiedade de tentar engravidar”, explica.

Essa distinção é especialmente importante em uma época em que dietas, vitaminas, antioxidantes e protocolos vendidos como capazes de “melhorar os óvulos” circulam diariamente nas redes sociais.

Para Rosaly, hábitos saudáveis devem fazer parte do planejamento reprodutivo, mas não substituir uma investigação médica quando a gravidez não acontece.

“Talvez o maior erro seja acreditar que a mulher precisa primeiro corrigir absolutamente tudo na própria vida para só depois procurar ajuda. Ela não precisa ter alimentação perfeita, peso perfeito, sono perfeito e rotina perfeita para merecer uma investigação. Idade, ovulação, reserva ovariana, trompas, fatores masculinos e outras condições também entram nessa avaliação. Estilo de vida importa, mas fertilidade nunca deveria ser resumida a uma lista de bons e maus hábitos”, finaliza a Dra. Rosaly Bustelo Saab.

By Jordan Vall

É jornalista, com uma maior atuação na cultura e entretenimento. Deu início a sua carreira na televisão, na TV Unifor, como produtor, repórter e apresentador do principal jornal da emissora universitária. O profissional já foi produtor e comentarista de um quadro do Programa Matina, na TV União. No “Deu O Que Falar”, quadro semanal da emissora aberta, comentava sobre o mundo dos famosos, levava pautas relevantes para a sociedade, através das notícias das celebridades. Foi durante 2 anos, produtor, diretor e repórter na TV Otimista e atualmente é assessor de comunicação, CEO na Assertiva Comunicação e Colunista do Portal Conexão Magazine (Portal de Notícias no Rio de Janeiro). O jornalista também é apresentador do Mesa de Negócios no Grupo Opinião Ceará. Como amante da moda, foi convidado para ser jurado da 6ª e 7ª edição do Salão de Moda Ceará. Além de todas essas atuações, Jordan é CEO/Fundador e repórter no IN Fluxo Portal, tratando de pautas culturais, cobertura de eventos e muito mais. O profissional também atua como modelo e influenciador digital. Instagram: @jordan_vall / contato comercial: jordanvall@influxoportal.com

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