Para o professor e ginecologista Dr. Juvenal Linhares, da Universidade Federal do Ceará (UFC), a campanha Setembro em Flor também é uma oportunidade para reforçar uma mensagem mais ampla: cuidar da saúde da mulher exige acompanhamento médico individualizado, prevenção e decisões fundamentadas em evidências científicas.
“Procure cuidado médico ético, individualizado e baseado em evidências”, orienta o especialista, que vem chamando atenção também para a crescente oferta, especialmente nas redes sociais, de protocolos e procedimentos associados a promessas de rejuvenescimento, melhora da performance e “versões melhores” de si mesma.
Prevenção começa antes dos sintomas
Entre os tumores que atingem o aparelho reprodutor feminino estão os cânceres do colo do útero, endométrio, ovário, vagina e vulva. No câncer do colo do útero, um dos principais instrumentos de prevenção é a vacinação contra o HPV, associada ao rastreamento adequado As novas diretrizes brasileiras estabeleceram o teste molecular para detecção do DNA-HPV oncogênico como método primário de rastreamento, com implantação progressiva. Onde ele ainda não está disponível, o Papanicolau continua sendo um método seguro e eficaz.
Já para cânceres como o de ovário e o de endométrio, não existe atualmente recomendação de rastreamento populacional de rotina para mulheres assintomáticas. Por isso, conhecer o próprio corpo, manter acompanhamento médico e investigar sintomas persistentes são medidas fundamentais. Além do acompanhamento ginecológico, hábitos relacionados à saúde como um todo como não fumar, manter peso corporal saudável, praticar atividade física e buscar orientação médica diante de alterações fazem parte de uma estratégia de prevenção e promoção da saúde.
Quais sinais merecem atenção?
Sangramento vaginal fora do período menstrual, sangramento após relações sexuais ou depois da menopausa, corrimento com sangue ou odor diferente e dor pélvica são alguns dos sintomas que devem ser investigados.
No caso do câncer de ovário, é importante observar especialmente inchaço ou distensão abdominal persistente, dor abdominal ou pélvica, perda de apetite ou de peso e mudanças nos hábitos intestinais ou urinários. Embora esses sintomas possam estar relacionados a diversas outras condições, a persistência justifica avaliação médica.
Outro alerta importante é o sangramento após a menopausa, que deve ser investigado e pode estar associado, entre outras causas, ao câncer do corpo do útero.
Saúde não combina com “fórmulas mágicas”
Para Dr. Juvenal Linhares, falar em prevenção também significa discutir a qualidade da informação que chega às pacientes. Em um ambiente digital repleto de promessas de rejuvenescimento, protocolos injetáveis e tratamentos apresentados como soluções universais, é importante diferenciar indicação médica individualizada de estratégias comerciais revestidas de discurso científico.
O especialista ressalta que tratamentos e substâncias podem ter indicações legítimas em situações específicas. O problema está em transformar procedimentos médicos em protocolos generalizados, sem diagnóstico adequado, avaliação de riscos e benefícios ou evidências suficientes para determinada finalidade.
A mensagem ganha ainda mais força durante o Setembro em Flor: cuidar da saúde da mulher não é perseguir uma promessa de juventude eterna, mas prevenir doenças, reconhecer sinais do organismo e buscar profissionais qualificados.
“Medicina séria não vende juventude eterna. Oferece cuidado ético, individualizado e baseado em evidências”, reforça Juvenal.
Dr. Juvenal Linhares é professor e pesquisador da Pós-Graduação da UFC em Sobral, doutor em Ginecologia, especialista em Ginecologia Minimamente Invasiva, Endometriose e Cirurgia Robótica e diretor das clínicas Cliza e Fertiliza, em Sobral (CE).
