O Museu de Arte Contemporânea do Ceará recebe, do dia 18 de julho a 23 de agosto, a exposição “Dolorosa Paixão: Márcia Mendonça por Isadora Ravena”. A mostra reúne pinturas, documentos e narrativas inéditas de Márcia Mendonça, uma das mais importantes artistas plásticas da história da arte sacra brasileira.
Nascida em Limoeiro do Norte, no interior do Ceará, Márcia Mendonça viveu entre 1949 e 1998 e foi uma das primeiras artistas plásticas transexuais do estado. Sua produção estabelece relações entre religião, fé, corpo, espiritualidade e paisagens sertanejas e oníricas, com influências da estética cusquenha, do realismo e do surrealismo.
A curadoria é assinada por Isadora Ravena, artista, professora e pesquisadora travesti, também natural do interior do Ceará. Há mais de três anos, Isadora desenvolve uma pesquisa sobre a obra e a trajetória de Márcia Mendonça, que já alcançou diferentes espaços no Brasil, na América Latina e na Europa.
Separadas por uma geração, as duas artistas se encontram por meio da arte contemporânea, construindo um diálogo entre memória, corpo, criação artística e enfrentamento ao apagamento histórico. “É um gesto de recusa ao emolduramento biográfico, às homenagens e retrospectivas convencionais. Enquanto artista contemporânea viva, tenho convivido com a força fantasmagórica de uma artista que nunca deixou de estar presente”, afirma Isadora Ravena.
A exposição conta com Honório Félix como curador adjunto e com expografia assinada por Isadora Ravena e Lucas Dilacerda. O projeto também recebeu contribuições de familiares, amigos e pesquisadores ligados à trajetória de Márcia Mendonça.
O projeto é apoiado pelo Ministério da Cultura e pela Secretaria da Cultura do Ceará, com recursos provenientes da Lei Federal nº 14.399, de julho de 2022. A iniciativa também conta com o apoio da Procult Mais, do Instituto Tembetá, do Museu de Arte Contemporânea do Ceará, do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e do Instituto Dragão do Mar.
