Embora a agenda ESG esteja cada vez mais presente nas pequenas e médias empresas, o pilar social ainda costuma receber menos atenção do que iniciativas ligadas à governança e à sustentabilidade ambiental. Dados do Sebrae mostram que quase 70% dos pequenos negócios brasileiros já adotam alguma prática ESG, mas, enquanto a governança registra adesão de 87,2% e as ações ambientais alcançam 75%, as iniciativas sociais aparecem em apenas 56,4% dos casos. O cenário mostra que muitas corporações ainda enxergam o impacto social como uma ação paralela ao negócio, e não como parte da estratégia.
Essa mudança também reflete uma transformação no comportamento dos consumidores. Segundo o estudo “Mercado da Maioria – Um consumidor com propósito: engajamento e ESG”, da PwC, 55% dos consumidores brasileiros afirmam prestar mais atenção às causas apoiadas por uma marca do que há dez anos, evidenciando que propósito e impacto positivo passaram a influenciar de forma crescente a percepção sobre marcas e produtos.
Mais do que apoiar projetos sociais, algumas companhias têm buscado construir modelos de negócio em que propósito e crescimento caminham juntos. À medida que essa visão ganha espaço, algumas empresas passam a estruturar seus negócios com o impacto social integrado à estratégia desde o início. A Machu Picchu Energy está entre elas. A startup conecta o desenvolvimento de seus produtos, a promoção do bem-estar, o incentivo à vida outdoor e uma agenda permanente de impacto social como parte de seu modelo de negócio.
Para Bernardo Paiva, sócio-fundador da Machu Picchu Energy, startup de bebidas funcionais à base de erva-mate, esse modelo começa a mudar. “Consumidores, investidores e parceiros passaram a olhar para as empresas de uma forma mais ampla. Hoje, não basta oferecer um bom produto. As pessoas querem entender quais valores sustentam aquele negócio. Por isso, vemos cada vez mais empresas incorporando impacto social genuíno e observando seu reflexo direto na performance destas companhias, analisa.
A visão é compartilhada também por Edu Lyra, fundador da Gerando Falcões e sócio da Machu Picchu Energy. “As empresas podem e devem ser agentes de transformação. Quando impacto social deixa de ser uma ação isolada e passa a integrar a estratégia do negócio, ele gera valor para a sociedade e contribui para criar oportunidades duradouras para quem mais precisa”, afirma Lyra.
A marca de energéticos nasceu com a proposta de desenvolver uma bebida formulada com ingredientes naturais, associado à promoção do bem-estar e de um estilo de vida ativo, incentivando esportes e atividades ao ar livre. Esse mesmo propósito orienta sua atuação social, conectando o posicionamento da marca às iniciativas que apoia.
No Brasil, a empresa apoia a Gerando Falcões, organização dedicada ao desenvolvimento de comunidades em situação de vulnerabilidade. No Peru, apoia a ONG Alto Peru, dedicada à transformação de comunidades vulneráveis por meio do esporte e do urbanismo comunitário, além de integrar o Pacto pela Cultura 2030, iniciativa em parceria com a Unesco. Já nos Estados Unidos, é parceira da organização A Walk on Water, que utiliza o surfe como ferramenta terapêutica para crianças com necessidades especiais e suas famílias. Como parte dessa estratégia, a empresa também destina 1% da receita a iniciativas voltadas ao desenvolvimento infantil.
O modelo também acompanha a expansão da startup. Após consolidar sua atuação nos Estados Unidos, a Machu Picchu Energy iniciou operações no Brasil e projeta faturar entre R$5 milhões e R$8 milhões em 2026. Para Bernardo Paiva, o crescimento reforça que empresas orientadas por propósito não precisam escolher entre impacto social e desempenho econômico. “Quando esses elementos fazem parte da estratégia desde o início, o crescimento amplia também a capacidade de gerar impacto positivo. Cada vez mais se sabe que é possível fazer o bem, e performar bem.”
