A popularização da inteligência artificial tem provocado uma série de debates sobre o futuro do trabalho e o impacto da tecnologia nas relações profissionais. Para Jackeline Camillo, fundadora da DIspertamente e especialista em liderança, desenvolvimento humano e futuro do trabalho, a principal transformação provocada pela IA não será a substituição de líderes, mas a exposição de modelos de gestão que nunca desenvolveram pessoas de maneira efetiva.
O debate acontece em um momento de rápida adoção da tecnologia nas empresas. Segundo a Pesquisa Global Hopes & Fears 2025, da PwC, 71% dos profissionais brasileiros afirmam ter utilizado inteligência artificial no trabalho nos últimos 12 meses, enquanto 26% já usam ferramentas de IA generativa diariamente.
“A IA executa tarefas com velocidade e precisão. Mas ela não inspira, não constrói confiança, não cria pertencimento e não desenvolve talentos. Quanto mais a tecnologia avança, maior se torna o valor das competências genuinamente humanas”, afirma Jack Camillo.
A especialista acredita que muitas organizações ainda estão tratando a inteligência artificial apenas como uma pauta tecnológica. “Não estamos vivendo apenas uma transformação digital. Estamos vivendo uma mudança na forma como as pessoas trabalham, aprendem, lideram e geram valor. O líder deixa de ser quem concentra respostas para ser quem desenvolve as melhores perguntas, cria ambientes de trabalho seguros e acelera o crescimento das pessoas “, analisa.
Segundo a especialista, alguns comportamentos devem se tornar ainda mais importantes para as lideranças na era da inteligência artificial: capacidade de desenvolver talentos, criar confiança, estimular pensamento crítico, promover colaboração e criar ambientes seguros para inovação.
Com mais de 20 anos de experiência em Recursos Humanos, construída em grandes empresas, Jack Camillo acompanha de perto as transformações nas relações de trabalho e os impactos da tecnologia no desenvolvimento das pessoas. Essa reflexão também inspira sua atuação à frente da DIspertamente, dos projetos A Marca que Você Deixa e Vozes que Lideram, além do podcast Entre Marcas, iniciativas voltadas ao desenvolvimento de lideranças e à construção de organizações mais humanas em um cenário de mudanças constantes.
Para a especialista, a pergunta que deveria orientar empresas e líderes já não é “como usar inteligência artificial na rotina das organizações?”, mas sim: “Que competências humanas precisam crescer na mesma velocidade da tecnologia? Porque, no futuro do trabalho, a vantagem competitiva não estará apenas na tecnologia disponível, mas na capacidade das pessoas de gerar conexão, confiança, criatividade e impacto”, conclui.
