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Hipertensão: o perigo de uma doença que avança em silêncio

Há doenças que dão sinais claros de que alguma coisa não vai bem. Outras avançam silenciosamente. A hipertensão arterial está nesse segundo grupo e permanece como um dos grandes desafios da saúde pública mundial. Dados recentes da Organização Mundial da Saúde mostram que cerca de 1,4 bilhão de adultos entre 30 e 79 anos viviam com hipertensão em 2024. O dado mais preocupante é que aproximadamente 44% das pessoas nessa condição não sabem que têm pressão alta. Apenas 23% mantêm a doença controlada.

É justamente o caráter silencioso que torna a hipertensão tão perigosa. Muitas pessoas passam anos sem apresentar sintomas enquanto o organismo sofre os efeitos da pressão elevada. Sem diagnóstico e acompanhamento adequados, aumentam os riscos de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e doença renal.

Por isso, precisamos falar cada vez mais sobre prevenção e diagnóstico precoce. Medir regularmente a pressão arterial é uma atitude simples, rápida e capaz de identificar alterações antes que apareçam complicações. Esse acompanhamento ganha ainda mais importância entre pessoas com histórico familiar, diabetes, obesidade, sedentarismo ou idade mais avançada.

A prevenção também passa pelo cotidiano. Reduzir o consumo de sal, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar o peso, evitar o tabagismo e moderar o consumo de bebidas alcoólicas são medidas reconhecidas para diminuir o risco cardiovascular.

Nesse processo, a Atenção Primária à Saúde ocupa posição fundamental. É nela que podemos identificar fatores de risco, acompanhar pacientes, estimular a adesão ao tratamento e desenvolver educação em saúde. E a enfermagem tem papel essencial nesse cuidado, não apenas na aferição da pressão, mas na orientação e no acompanhamento contínuo. Cuidar da hipertensão antes que suas consequências apareçam significa mudar uma lógica ainda muito presente: procurar assistência apenas quando a doença já se manifesta. Na saúde, prevenir continua sendo uma das formas mais eficientes de cuidar.

Artigo escrito por Rubênia Vasconcelos, enfermeira

By Redação

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