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Gaby Amarantos, Kyan, Puterrier e Valesca Popozuda lideram a edição de 10 anos do Festival Favela Sounds

Slipmami (RJ) no Favela Sounds 2023 – foto: @pccavera

O festival Favela Sounds começa nesta quarta-feira, 29 de julho, em Brasília e comemora 10 anos de trajetória. Entre o Museu Nacional da República e outras locações da capital federal, o evento movimenta a diversidade das periferias brasileiras. Criado em Brasília, em 2016, o Favela Sounds orgulhosamente reúne experiências que atravessam música, formação e capacitação para o mercado criativo das periferias. 

Nos dias 31 de julho e 01 de agosto de 2026, o público do maior festival de cultura de favela do Brasil acompanha os shows, gratuitos, na programação do Palco Petrobras, marcada por artistas do rap, trap, tecnobrega, rock doido, afrobeat, samba e do funk brasileiro, em todas as suas vertentes. Os ingressos podem ser retirados gratuitamente através do Sympla

Antes, de 29 a 31 de julho, o Favela Talks apresenta duas noites de shows e showcases gratuitos, LAB de Mentorias e Rodadas de Negócios. A novidade deste ano é que os paineis de debate acontecem em formato de podcast, gravado ao vivo com plateia. Confira abaixo a programação completa do Favela Talks.

CURADORIA

O festival chega com uma curadoria que olha para a pista de dança como território de revolução criativa. Com artistas que marcaram a cultura pop brasileira, novos nomes das cenas urbanas e grandes referências da música de Uganda e Tanzânia, a música eletrônica dá o tom do Palco Petrobras. 

“Apesar de seus criadores se distanciarem dessa nomenclatura, a música de favela é muito eletrônica e o DJ é o epicentro dessa produção. Nesta edição, mais do que nunca, quisemos coroar estes profissionais que são os maiores difusores da cultura periférica”, afirma Guilherme Tavares, diretor artístico do festival. 

Os shows terão transmissão ao vivo através do YouTube do Favela Sounds. 

“O Favela Sounds é um projeto robusto e relevante, que nos chegou em nossa última seleção pública, na qual recebemos mais de 8.000 inscrições de todo o país. Essa nova parceria reforça a presença da Petrobras no Distrito Federal e o compromisso da companhia com a diversidade, o acesso à cultura e o desenvolvimento da economia criativa”, afirma Milton Bittencourt, gerente de Patrocínio Cultural da Petrobras.

Apresentado pelo Ministério da Cultura e a Petrobras, o Favela Sounds 2026 tem lineup encabeçado pela cantora paraense Gaby Amarantos. A artista, que ajudou a projetar nacionalmente a sonoridade do tecnobrega, nascida nas festas populares da Amazônia, lança no DF o show de seu premiado álbum “Rock Doido”, inspirado na energia dos bailes paraenses e na relação entre música e cultura digital. 

Na mesma linha de artistas pop de renome, Valesca Popozuda embarca pela primeira vez no festival. Figura das mais emblemáticas da história do funk carioca, ela construiu uma trajetória atravessada por hits de conexão direta com trajetórias femininas e LGBTQIA+. Seu show renderá tributo a Mr. Catra, padrinho do Favela Sounds, primeiro artista a conhecer e endossar o projeto, e grande parceiro artístico da cantora.

Do ABC Paulista, a rapper Stefanie chega para celebrar mais de duas décadas no hip-hop, trazendo seu “BUNMI”, premiado álbum lançado em 2025, que simboliza suas trajetórias e a maturidade conquistada. Da Zona Oeste paulistana, DJ Cia, lendário integrante do grupo RZO, traz um set que reflete seus 37 anos participando ativamente da construção do rap nacional, mostrando toda sua técnica e um repertório que atravessa gerações. 

Estas grandes referências do pop e do hip-hop dividem o palco com uma juventude que tem moldado a cultura urbana. 

“No Favela Sounds temos a missão de conectar passado, presente e futuro dos estilos periféricos, evidenciando a lógica produtiva da música de favela e as transformações desses gêneros musicais ao longo do tempo”, avalia Amanda Bittar, diretora geral do festival. 

Entre os destaques da nova geração, o carioca do bairro de Del Castilho, Puterrier, traz sua mistura de funk, grime e drill, com uma linguagem marcada pelo deboche e uma apresentação encabeçada por hits como “Vou investir em você” e “Marolento”. Também do Rio, do Morro do Urubu, Carlos do Complexo leva ao Palco Petrobras sua pesquisa que aproxima o funk carioca do eletrônico, R&B, dancehall e dembow jamaicanos. 

Mineira de BH, radicada em São Paulo, Ciça chega como uma das apostas do rap nacional, com rimas afiadas e boombaps viciantes como “Mina Quente” e “Tranquila & Calma”. Aos 18 anos, é filha dos rappers Bárbara Sweet e Slim Rimografia, sendo este também DJ em seus shows. 

Diretamente de Praia Grande, Baixada Santista, Kyan traz sua mistura de rap, trap e funk que traduzem a identidade funkeira atual. Com seis álbuns lançados, sendo três ao lado do parceiro MU540, o artista começou no funk em 2014 e vem se consagrando no rap e trap desde 2019, acumulando hoje mais de 3 milhões de ouvintes mensais só no Spotify. 

Também do litoral paulista, Bonekinha Iraquiana chega com um set de funk nos estilos “submundo” e “bruxaria”, inspirado em bailes como Dz7, Helipa e outros movimentos da noite das periferias paulistas. Também do contexto “bruxaria” vem a DJ e produtora th4ys. Cria do Grajaú, ela já se apresentou em festivais como Primavera Sound (Barcelona), Lollapalooza Brasil e Montreux Jazz Festival (Suíça). 

Representando o Sul, Bia Soull vem do Paraná com um funk provocador que tensiona moralismos a partir do humor e da sexualidade. Seu álbum de estreia, lançado em maio de 2026, viralizou e vem encontrando um bom lugar nos charts. Da região Norte – e garantindo tecnobrega em dose dupla nesta edição, DJ Méury desembarca diretamente do Pará para um set alucinante, marcado pela cultura das festas de aparelhagem e o rock doido.

Nascida no maior quilombo urbano do país, o bairro da Liberdade em São Luís do Maranhão, Enme volta ao Favela Sounds para o show de lançamento de seu álbum mais recente, “CONEXÃO JAMAICA BRASILEIRA, VOL. 1”, onde mergulha de cabeça no funkhall, a fusão entre o funk brasileiro e o reggae jamaicano. 

Na festa de 10 anos do Favela Sounds, a presença de África não poderia ser deixada de lado. As relações do festival com a música do continente-mãe se desenvolvem desde a primeira edição. Diretamente de Uganda, o DJ Faizal Mostrixx apresenta uma fusão entre música eletrônica africana, polirritmos tradicionais, amapiano e beats contemporâneos, trazendo sonoridades que conectam diferentes países da África Oriental. 

Como não poderia faltar, o DF ocupa seu espaço na edição de 10 anos. Cantor, compositor e percussionista, Breno Alves representa a força do samba candango, com uma trajetória ligada a rodas de samba e projetos que ajudam a contar a história recente do gênero no DF. Além dele, os DJs Novin Yarp, New Nay e Zapatta mostram diferentes leituras da música urbana de Brasília. 

Radicado em Campinas, Novin Yarp é nascido e criado entre o Guará e a Ceilândia e mostra por que é um dos principais DJs do funk “submundo” atualmente. A DJ New Nay vem construindo uma pesquisa open format marcada por afrobeats, amapiano, funk, pop, hip-hop, R&B, rock e música eletrônica. Zapatta, por sua vez, mistura funk, rock doido, pagodão baiano e referências afro-brasileiras. 

O Favela Sounds 10 anos é apresentado pelo Ministério da Cultura e a Petrobras. Com apoio do Museu Nacional da República e Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, é uma realização da Um Nome – Agência Criativa e Fundação Nacional das Artes – Funarte, Ministério da Cultura e Governo Federal. 

FAVELA TALKS

A conferência Favela Talks caminha para sua 5ª edição entre 29 e 31 de julho, com programação de debates gravados ao vivo, LAB de Mentorias, Rodadas de Negócios e Showcases para artistas da música periférica do DF. Todos os eventos são gratuitos.

A grande novidade de 2026 é que os debates do Favela Talks acontecem em formato de podcast, gravado ao vivo com plateia, sob apresentação de Ana Paula Paulino, gerente de A&R da Warner Music Brasil e sócia da Ubuntu Produções, e Dennis Novaes, professor da Escola de Belas Artes da UFRJ, escritor e co-idealizador do festival.

A primeira temporada ganha quatro episódios gravados dia 31 de julho, a partir de 14h, no Auditório II do Museu Nacional de Brasília, recebendo os artistas MU540, Valesca Popozuda e Puterrier, e a empresária Priscila Melo, responsável pela carreira da cantora Liniker.

As gravações têm entrada franca com retirada de ingressos pelo  Sympla e o público poderá participar ativamente, perguntando e interagindo com os convidados. A ideia é que as conversas realizadas durante o festival, em Brasília, sigam circulando depois do encontro presencial e inspirem quem está no corre da música nos quatro cantos do país.

NOITES DE SHOWS E SHOWCASES

A primeira noite (29/07) programa o cantor e compositor baiano Nelson Rufino, um dos mais importantes autores da história do samba, responsável por verdadeiros clássicos, como “Todo Menino é um Rei” e “Vazio”, gravados por nomes como Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal, Jorge Aragão e Roberto Ribeiro. Ele será acompanhado pelo prata da casa Breno Alves, que traz mais de duas décadas de trajetória dedicadas ao samba e ao choro no DF. 

Na mesma noite, acontece uma apresentação da DJ Jess Ullun e os showcases de Bárbara Silva e Deejay Ketlen, duas entre os sete artistas selecionados pela convocatória do Favela Talks para apresentar seus trabalhos diante dos convidados do mercado musical e do público geral.

Na noite de quinta-feira (30/07), na Birosca do Conic, rola uma noite dedicada às sonoridades urbanas contemporâneas. O lineup é encabeçado pelo DJ MU540, paulista da Baixada Santista, um dos principais nomes da cena do funk e trap no Brasil atualmente.

Entre os showcases confirmados para a segunda noite estão Japão, fundador do grupo Viela 17 e uma das vozes mais emblemáticas do rap do Distrito Federal, além de Fehlix, Negraflow, Prince Belofá e DJ Jazz, expoentes da nova geração da música periférica candanga, também selecionados pela convocatória pública do projeto.

SOBRE

Xande de Pilares (RJ) no Favela Sounds 2022 – foto: Rômulo Juracy

O festival Favela Sounds é conhecido por levar a música de favelas e guetos do Brasil e do mundo aos territórios de poder do Distrito Federal desde 2016. Ao longo desse período, o festival reuniu público de cerca de 197 mil pessoas e apresentou, muitas vezes de forma inédita, 184 artistas do Brasil e de outros 13 países. No campo da formação e capacitação, com a conferência Favela Talks, foram realizadas 52 oficinas, 68 debates e diferentes laboratórios e residências artísticas em todo o DF. A programação é sempre gratuita.

Criado no Distrito Federal, o festival acontece habitualmente no Museu Nacional de Brasília, reunindo milhares de pessoas em torno de uma programação conhecida por conectar talentos de periferias. Muitos artistas se apresentaram por lá antes de estourar nacionalmente, como Baco Exu do Blues, N.I.N.A. e BaianaSystem. Nomes consagrados também já passaram pelo palco do evento, como Criolo, Jorge Aragão, Black Alien e Xande de Pilares.

Em 2023, um programa documental sobre o Favela Sounds estreou na Globoplay, assista aqui.

Em 2024, o Favela Sounds cumpriu uma missão antiga, que foi voar para o continente africano. De 14 a 17 de novembro de 2024, o festival desembarcou em Uganda para apresentar o show do coletivo soteropolitano TrapFunk&Alívio na programação do Nyege Nyege, um dos principais festivais de música eletrônica de África. 

By Jordan Vall

É jornalista, com uma maior atuação na cultura e entretenimento. Deu início a sua carreira na televisão, na TV Unifor, como produtor, repórter e apresentador do principal jornal da emissora universitária. O profissional já foi produtor e comentarista de um quadro do Programa Matina, na TV União. No “Deu O Que Falar”, quadro semanal da emissora aberta, comentava sobre o mundo dos famosos, levava pautas relevantes para a sociedade, através das notícias das celebridades. Foi durante 2 anos, produtor, diretor e repórter na TV Otimista e atualmente é assessor de comunicação, CEO na Assertiva Comunicação e Colunista do Portal Conexão Magazine (Portal de Notícias no Rio de Janeiro). O jornalista também é apresentador do Mesa de Negócios no Grupo Opinião Ceará. Como amante da moda, foi convidado para ser jurado da 6ª e 7ª edição do Salão de Moda Ceará. Além de todas essas atuações, Jordan é CEO/Fundador e repórter no IN Fluxo Portal, tratando de pautas culturais, cobertura de eventos e muito mais. O profissional também atua como modelo e influenciador digital. Instagram: @jordan_vall / contato comercial: jordanvall@influxoportal.com

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