Foto: Ana Raquel
Romper vínculos familiares, perder documentos, enfrentar o preconceito e ter talentos invisibilizados fazem parte da realidade de milhares de pessoas em situação de rua em Fortaleza. Em uma cidade que concentra mais de 12 mil pessoas nessa condição, a terceira edição da campanha Estouro Cultural propõe a arte como caminho para ampliar o acesso a direitos, oportunidades de trabalho e geração de renda.
Realizada pelo Instituto Dragão do Mar (IDM), por meio da área de Cidadania Cultural, a iniciativa acontece ao longo de agosto em sete equipamentos da Rede Pública de Espaços e Equipamentos Culturais do Ceará. A expectativa é reunir cerca de 500 participantes em atividades gratuitas, com acesso livre, sem necessidade de inscrição prévia ou apresentação de documentos.
A programação inclui oficinas de fotografia, cinema, produção literária, contação de histórias e teatro de rua, além de apresentações artísticas, performances, exposições, exibições audiovisuais e rodas de conversa. Os participantes também terão apoio na construção de portfólios, no registro fotográfico de seus trabalhos e na inserção no Mapa Cultural. A iniciativa busca facilitar o acesso a editais e projetos e contribuir para que a produção artística também possa se tornar fonte de renda.
O acesso a direitos integra as ações desenvolvidas durante a campanha. Os participantes são acolhidos por uma articulação entre serviços públicos e organizações sociais, com encaminhamentos para emissão de documentos, acesso ao aluguel social por meio do Centro Pop e acompanhamento em saúde mental, em parceria com o Consultório na Rua, CAPS AD e Centro de Referência sobre Drogas. A proposta é aproximar esse público das políticas públicas e criar condições para o fortalecimento da autonomia.
A programação também integra a mobilização pelo Dia Nacional da Luta da População em Situação de Rua, celebrado em 19 de agosto, ampliando o debate sobre direitos, cidadania e acesso às políticas públicas.
