O economista-chefe da XP, Caio Megale, esteve em Fortaleza na última quinta-feira (5) para um encontro com clientes e investidores no Espaço XP Fortaleza. Durante a apresentação, o especialista analisou o cenário econômico nacional e internacional e as perspectivas para 2027, com destaque para os desafios fiscais, a trajetória da inflação e os impactos dos juros sobre a atividade econômica. As análises fazem parte do estudo “Onde Investir”, produzido pela XP, que reúne avaliações sobre o cenário macroeconômico, a economia brasileira, o ambiente político e as principais recomendações de investimentos para diferentes classes de ativos.
Entre os pontos apresentados, Megale chamou atenção para uma desaceleração da economia brasileira em 2027. Segundo o economista, o Produto Interno Bruto (PIB) pode registrar crescimento próximo de zero, após um período de expansão impulsionado pelo aumento da renda das famílias, pelo mercado de trabalho aquecido, pelas transferências de renda e pela ampliação do crédito.
Na avaliação do especialista, esse conjunto de fatores também contribuiu para elevar a demanda interna e pressionar a capacidade produtiva do país. Ele destacou que o comprometimento da renda das famílias com dívidas chegou a aproximadamente 30%, enquanto os índices de inadimplência também apresentam sinais de preocupação.
Megale também apontou desafios para o controle da inflação. Durante a apresentação, mencionou uma projeção de inflação de 5,5% para 2027, em um cenário que combina fatores externos, como os preços do petróleo, e questões domésticas, como o nível de consumo, os gastos públicos e os custos de produção.
O quadro fiscal brasileiro foi outro tema central. O economista observou que, mesmo com a expectativa de arrecadação recorde em 2026, o país ainda enfrenta dificuldades para equilibrar as contas públicas. Na análise apresentada, a trajetória da dívida e a capacidade de estabilizá-la serão determinantes para a confiança dos investidores e para as condições econômicas dos próximos anos.
Cenário internacional e oportunidades no Ceará
No ambiente externo, Megale destacou a combinação de tensões geopolíticas, incertezas fiscais em grandes economias e juros globais elevados. Esse contexto, segundo ele, aumenta a volatilidade dos mercados e influencia as condições de financiamento e investimento em diferentes países.
Por outro lado, o Brasil pode encontrar oportunidades nesse cenário por sua diversidade na produção de commodities, como petróleo, grãos e minérios. O economista também citou diretamente o Ceará ao abordar o potencial de atração de investimentos em setores estratégicos, como o de data centers. Na avaliação apresentada, a distância geográfica do estado em relação a áreas de maior tensão geopolítica pode representar um diferencial para projetos que buscam ambientes mais seguros.
Ao falar sobre as estratégias de investimento, Megale defendeu uma postura de cautela diante das incertezas econômicas de curto prazo. Entre os caminhos discutidos, mencionou aplicações de renda fixa pós-fixada, títulos atrelados à inflação e diversificação internacional. Para a renda variável, destacou a possibilidade de oportunidades, mas ressaltou que momentos de queda também podem se prolongar.
