Um dia histórico para a dor crônica no Brasil
O Brasil acaba de viver um dos momentos mais importantes da história do cuidado com a dor crônica.
O Senado Federal aprovou o Projeto de Lei 336/2024, que estabelece diretrizes para o atendimento das pessoas com dor crônica no Sistema Único de Saúde (SUS) e cria oficialmente o Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Dor Crônica, celebrado em 5 de julho, representado pela cor verde.
Agora, o projeto segue para sanção presidencial.
Mais do que uma aprovação legislativa, este é um reconhecimento histórico de uma condição que afeta milhões de brasileiros e que, durante décadas, foi invisibilizada, subestimada e silenciosamente negligenciada.
A dor crônica não é apenas um sintoma. Ela compromete sono, trabalho, autonomia, memória, saúde mental, relações pessoais e qualidade de vida. Ela impacta famílias inteiras, aumenta afastamentos, gera incapacidade e traz consequências sociais e econômicas profundas.
Durante anos, pacientes ouviram que “era normal”, “emocional” ou que precisariam apenas aprender a conviver com aquilo. Hoje, o Brasil começa a mudar essa narrativa.
A aprovação do PL 336/2024 representa um avanço concreto na construção de políticas públicas mais humanas, científicas e integradas para milhões de brasileiros. Representa a possibilidade de ampliar acesso ao diagnóstico adequado, tratamento multidisciplinar, reabilitação, educação em dor e estratégias modernas de cuidado.
Para o neurocirurgião e médico da dor Dr. Luiz Severo, este momento simboliza uma virada histórica no olhar do país sobre a dor crônica.
“Estou profundamente motivado e esperançoso com a possibilidade de uma mudança real no cuidado das pessoas com dor crônica no Brasil. Essa aprovação representa um passo fundamental, mas reforço ainda a necessidade de estratégias que garantam acesso ao tratamento especializado, avaliação multidisciplinar específica em dor e formação de profissionais de saúde verdadeiramente preparados para lidar com a complexidade dessa condição”, destacou.
A fala reforça um dos principais desafios atuais: transformar a aprovação da lei em assistência prática e acessível para a população.
Especialistas alertam que o enfrentamento da dor crônica exige equipes capacitadas, integração entre diferentes áreas da saúde e políticas públicas contínuas. A condição envolve aspectos físicos, emocionais, sociais, funcionais e neurobiológicos que precisam ser compreendidos de forma ampla e individualizada.
O verde do dia 5 de julho passa agora a representar esperança, conscientização e enfrentamento.
Esperança de ser ouvido.
Esperança de ser acolhido.
Esperança de voltar a viver com dignidade.
O Brasil dá hoje um passo histórico para reconhecer oficialmente que dor crônica é uma condição complexa, incapacitante e que precisa ser tratada com seriedade, humanidade e compromisso.
Um marco para pacientes.
Um marco para famílias.
Um marco para a saúde pública brasileira.
