Pesquisa aponta que 78% dos profissionais contábeis já utilizam inteligência artificial no trabalho
A automação de tarefas contábeis está ampliando as possibilidades de uso das informações financeiras na gestão das empresas. Com ferramentas que agilizam processos operacionais, os contadores podem dedicar mais tempo à análise de custos, margens de lucro, fluxo de caixa e planejamento tributário, ajudando empresários a compreender os resultados do negócio e avaliar decisões.
Esse modelo faz parte da atuação da Move Contabilidade Consultiva, empresa sediada em Campinas (SP), que utiliza informações contábeis e financeiras para acompanhar o desempenho de seus clientes e apoiar decisões de gestão. O trabalho envolve analisar indicadores, identificar riscos e avaliar como questões financeiras e tributárias podem afetar o planejamento das empresas.
Para Bruno Loreno, sócio da Move, a tecnologia está mudando a maneira como o contador participa da administração dos negócios.
“Durante muito tempo, o contador foi procurado principalmente para dizer o que precisava ser apurado ou pago. Isso continua fazendo parte do trabalho, mas a tecnologia reduz o peso da operação e aumenta a importância de entender o que aquela informação muda na empresa. Conseguir fazer essa leitura com clareza passa a ser cada vez mais importante”, afirma.
Pesquisa realizada pela IOB, em parceria com o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e a Fenacon, ajuda a dimensionar essa transformação. Divulgado em setembro de 2026, o levantamento ouviu 393 profissionais e revelou que 78% utilizam inteligência artificial no trabalho ao menos uma vez por semana. Para 58%, a tecnologia tende a aumentar o valor estratégico do contador, enquanto 20% apontam a falta de tempo para análise e consultoria como um dos principais desafios da profissão.
Na prática, a análise contábil pode revelar problemas que o faturamento, isoladamente, não mostra. Uma empresa pode vender mais e, ainda assim, enfrentar dificuldades de caixa. Também pode ampliar suas operações sem perceber que o aumento dos custos está reduzindo sua rentabilidade. Nesses casos, compreender os números antes de investir ou expandir pode evitar decisões que comprometam a saúde financeira do negócio.
A reforma tributária acrescenta novos fatores a essa análise, especialmente pelos possíveis efeitos das mudanças sobre preços, contratos, custos e planejamento financeiro.
“É preciso entender a margem de cada atividade, os custos, o capital de giro e os efeitos da tributação sobre o resultado. Uma empresa pode ter um bom volume de vendas e operar com margens muito apertadas. No Lucro Real, por exemplo, a análise da rentabilidade e das despesas é especialmente importante. Sem conhecer esses números, o empresário corre o risco de tomar decisões com base apenas no faturamento, sem avaliar o resultado efetivo do negócio”, explica Bruno.
Para as empresas, o aproveitamento dessas informações depende de um acompanhamento que considere tanto os dados contábeis quanto as características da operação. A automação facilita o acesso e o processamento dos números, mas identificar suas consequências e utilizá-los no planejamento continua exigindo conhecimento técnico e análise da realidade de cada negócio.

