Crédito: Jeny Sousa
A Assembleia Legislativa do Ceará aprovou, nesta quarta-feira, a mensagem encaminhada pelo governador Elmano de Freitas que institui a Política Estadual Zona Viva de Cultura, Tecnologia e Qualificação. A proposta, de autoria do deputado estadual Léo Suricate, transforma em política pública permanente uma iniciativa voltada à promoção da cultura, da inclusão digital, da qualificação profissional e da cidadania nos territórios populares. A nova legislação reforça uma concepção de segurança pública baseada na prevenção da violência, na ampliação de oportunidades, na presença do Estado e na garantia de direitos, reconhecendo o fortalecimento das comunidades como caminho para a construção de territórios mais seguros.
A iniciativa nasceu em 2022, a partir do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e da articulação dos moradores do Residencial José Euclides, no bairro Jangurussu, em Fortaleza. Entre os militantes desse processo está Léo Suricate, que exerceu mandato como deputado estadual pelo PSOL-CE por 90 dias, entre agosto e novembro de 2025, substituindo o deputado Renato Roseno. Durante esse período, o deputado apresentou à Assembleia Legislativa do Ceará (ALECE) um projeto formulado com o MTST para transformar o programa Zona Viva de Cultura e Tecnologia em uma política pública permanente de Estado.
Ao longo desse processo, a proposta foi enriquecida por escutas, encontros e trocas com coletivos culturais, lideranças comunitárias, pesquisadores, educadores e jovens das periferias. Dessa construção coletiva, consolidou-se a compreensão de que as comunidades já produzem cultura, conhecimento, inovação e soluções para seus desafios cotidianos, mas necessitam de investimentos permanentes que ampliem e fortaleçam essas potencialidades.
Mais do que um equipamento público, a Zona Viva foi concebida como uma estratégia de desenvolvimento territorial. A proposta integra cultura, tecnologia, educação, qualificação profissional, esporte, lazer e proteção social em um mesmo espaço, promovendo oportunidades e fortalecendo vínculos comunitários, especialmente entre crianças, adolescentes e jovens.
A iniciativa está estruturada em quatro eixos principais: cultura e memória; tecnologia e inclusão digital; qualificação profissional e empreendedorismo; e cidadania e direitos. Outro diferencial é a gestão compartilhada, envolvendo poder público, conselho territorial, instituições de ensino e sociedade civil, fortalecendo a participação popular e a transparência na implementação das ações.
Zona Viva
As Zonas Vivas de Cultura, Tecnologia e Qualificação são equipamentos públicos voltados à promoção dos direitos humanos e ao desenvolvimento humano em territórios urbanos vulneráveis. Atualmente, o programa conta com seis unidades em funcionamento em Fortaleza — no Jangurussu (Residencial José Euclides), José Walter e Cidade Jardim (Residencial Cidade Jardim), Vila Velha (Beco do Céu), Granja Lisboa (Residencial Leonel Brizola) e Edson Queiroz (Residencial Iolanda Queiroz) — e terá sua sétima unidade inaugurada em Juazeiro do Norte, em julho, sendo a primeira no interior do Estado. Cada unidade recebe investimento médio de R$ 350 mil, com custo mensal de aproximadamente R$ 95 mil, e dispõe de sala multiuso, ilha digital, brinquedopraça, área administrativa e banheiros, ofertando atividades de inclusão digital, cultura, esporte, lazer, cursos de qualificação e, em algumas unidades, Educação de Jovens e Adultos (EJA). Os espaços funcionam de segunda a sexta-feira, das 8h às 21h.
Para Léo Suricate, a proposta é resultado direto das experiências vividas nos territórios e da luta coletiva das comunidades por acesso a direitos.
“Dos saraus na Sapiranga ao Jangurussu, o acesso à cultura e à tecnologia foram determinantes para mudar vidas e transformar territórios marcados pela violência em espaços de esperança e transformação social. Mais do que um módulo, trata-se de uma zona inteira dentro do território que integra cultura, tecnologia, formação profissional, educação, esporte, brinquedos e proteção social. Nada disso foi um presente, mas uma conquista fruto da organização e da pressão popular. Projetado para ser replicado em vários conjuntos habitacionais e em diversas periferias urbanas e rurais, esse projeto agora se consolida como política permanente, com potencial de alcançar todo o território do Ceará e inspirar iniciativas semelhantes em outras regiões do Brasil”, afirma Léo Suricate.
Segundo Léo Suricate, a aprovação da Zona Viva como política permanente representa o reconhecimento de uma construção que nasceu nos territórios e foi impulsionada pela participação popular. A transformação do Zona Viva em Projeto de Estado reforça que o enfrentamento à violência deve ir além da atuação ostensiva, defendendo que segurança pública também se constrói com políticas de prevenção, presença do Estado e garantia de direitos. Para ele, segurança é também sensação, cidadania e oportunidade. “Acreditamos numa política de vida, e o Zona Viva é a síntese do que defendemos para o Estado do Ceará”.
Mais do que um projeto, a Zona Viva simboliza uma nova forma de pensar as políticas públicas, partindo das necessidades e potencialidades das comunidades. Sua consolidação representa um passo importante para que os territórios populares sejam reconhecidos não apenas pelos desafios que enfrentam, mas principalmente pela capacidade de produzir soluções, fortalecer vínculos e construir um futuro mais justo para o Ceará.
