Com quase 6 mil associados, o Sindicato dos Médicos do Ceará se consolidou ao longo de oito décadas como uma das entidades médicas mais atuantes do país. Referência na defesa da valorização profissional e na luta por melhores condições de trabalho, a instituição também tem se destacado por seu papel em pautas estruturais da saúde pública e pela ampliação de benefícios voltados à categoria.
Criado oficialmente em 1941, em um contexto de transformações sociais e políticas no Brasil, o Sindicato surgiu com a missão de organizar e fortalecer a voz da categoria médica. Desde então, tem acompanhado momentos decisivos da história da saúde no Ceará e se adaptado aos novos desafios impostos pela evolução da profissão.
À frente da entidade, o presidente Dr. Edmar Fernandes destaca conquistas recentes. “Após a reforma trabalhista, tivemos que nos reinventar para participar do dia a dia dos médicos. Atuamos em todas as frentes, desde questões pessoais até trabalhistas, como atrasos salariais e reajustes. Já tivemos ganhos importantes, como as ascensões funcionais que estavam paradas há mais de 10 anos, o que reforça a relevância do nosso trabalho”, afirma.
Hoje, o Sindicato representa cerca de 5.073 médicos e estudantes, com presença em todas as regiões do Ceará. Nos últimos anos, a entidade passou por um processo de modernização da gestão, pautado na transparência e na independência institucional, o que lhe garantiu certificações inéditas entre sindicatos médicos no Brasil, como em 2021 com o selo Great Place To Work (GPTW) e a ISO 9001, em 2022.
Entre os serviços oferecidos, estão parcerias em saúde, educação, lazer e alimentação, além de assessoria jurídica gratuita, um dos benefícios mais demandados pelos associados. O Sindicato também mantém a Central de Denúncias, que recebe relatos de irregularidades, e realiza visitas técnicas em unidades de saúde, além de promover ações como o Ranking do Piso Médico, que monitora municípios que não cumprem a remuneração base da categoria.
Projetos e presença social
A atuação vai além das negociações salariais. Projetos como o Projeto Ajuda de Custo e o Sindicato Estudantil, que realiza mutirões que aproximam a entidade da sociedade, levando ações de saúde e apoio educacional para comunidades e universidades. Em 2023, foi inaugurada a Regional Cariri, ampliando a presença no interior do estado.
No campo político, a entidade mantém diálogo permanente com o governo estadual e com prefeituras, tratando de pautas como a aprovação do piso médico, regularização de vínculos de trabalho e melhorias na infraestrutura do SUS.
Desafios atuais e perspectivas
Entre os principais desafios, o presidente destaca o modelo de contratação por Organizações Sociais (OSs), que, segundo ele, fragiliza direitos trabalhistas ao vincular médicos como Pessoa Jurídica (PJ). “As empresas ganham menos, pagam menos impostos e buscam lucro, impactando diretamente o direito do trabalhador médico. Elas são inimigas da saúde”, reforça Dr. Edmar.
Para ampliar a fiscalização, o Sindicato manteve o “Devedômetro”, ferramenta que expõe municípios e unidades de saúde em débito com salários de médicos, dando visibilidade também à sociedade sobre a gestão desses recursos.
Para o presidente da entidade, o futuro exige mobilização e protagonismo. “O Sindicato nasceu para ser a força dos médicos. Agora, mais do que nunca, precisamos estar mobilizados, não só para garantir direitos, mas para liderar mudanças. O futuro da medicina passa por nós. O nosso compromisso é seguir à frente, com coragem, independência e lado a lado com cada profissional que veste o jaleco no Ceará”, conclui.
