A busca por maturidade digital fez organizações ampliarem rapidamente seus parques tecnológicos. Diversas camadas dos sistemas passaram a compor ambientes que, à primeira vista, parecem altamente protegidos, mas que, na prática, não são. As instituições seguem expostas, agora, não mais por falta de tecnologia, mas sim pelo excesso dela operando sem coordenação. Forma-se um paradoxo: quanto mais soluções, menor a visibilidade real do que acontece.
Governança como base da segurança
Compreender qual é a definição de governança no contexto digital é decisivo, já que ela é o conjunto de diretrizes, processos e responsabilidades que orientam decisões, organizam recursos e gerenciam riscos. Expandindo esse conceito, na prática, a governança em tecnologia é, então, a capacidade de conectar sistemas, dados, pessoas e rotinas sob a mesma estratégia.
Sem essa base, cada ferramenta funciona como uma ilha, quando, na verdade, precisa-se buscar ter arquipélagos: complexos independentes, mas com uma origem em comum. Sem isso, alertas são gerados, porém, não correlacionados, as informações ficam dispersas e as equipes operam múltiplos painéis sem uma visão consolidada do ambiente.
Falhas que não estão na tecnologia
Esse é um cenário propício para aparecerem as falhas mais comuns de segurança nas empresas. Muitas não estão ligadas à ausência de soluções, mas às configurações inadequadas, excesso de permissões, falta de processos claros, resposta a incidentes e ausência de integração entre tecnologias já existentes.
Ao mesmo tempo, ficam evidentes quais são os principais riscos da falta de governança de dados, que inclui a perda de controle sobre informações críticas, dificuldades de conformidade regulatória e decisões baseadas em dados fragmentados. Isso evidencia porque a governança da segurança da informação é importante para uma organização, já que ela conecta pessoas, processos e tecnologia em um sistema coordenado de proteção.
Integração como sinal de maturidade
A aplicação das 5 fases da governança corporativa ao ambiente digital, que remete às responsabilidades, estruturação de processos, arquitetura integrada, monitoramento contínuo e melhoria permanente, sustenta os pilares da governança de TI, como alinhamento estratégico, gestão de riscos e uso eficiente de recursos. Esses fundamentos derivam dos princípios da governança de TI, que envolvem transparência, responsabilidade e controle sobre ativos digitais.
Esse desafio se mostra ainda maior quando transposto para o setor público, onde comumente as soluções são adquiridas em momentos distintos e sem uma estratégia unificada. Dessa maneira, a tecnologia é apenas uma ferramenta, pois sem governança e integração, ela não cumpre seu papel.
Por isso, a maturidade em tecnologia não está na quantidade de soluções implementadas, mas sim na capacidade de fazê-las operar como um ecossistema único, orientado por estratégia e coordenação.
Sobre Mirella Kurata
Com mais de 25 anos de experiência em gestão de tecnologia e segurança da informação no setor público, Mirella Kurata é fundadora da DMK3, empresa especializada em soluções tecnológicas. Com passagens por órgãos como a Secretaria de Cultura, Fundação ITESP e IAMSPE, Mirella é referência em segurança cibernética e inovação no governo. Ela também é mentora e consultora em projetos de segurança e governança de dados para diversas instituições públicas e privadas.
Artigo escrito por Mirella Kurata, CEO da DMK3
