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Espetáculo “A Palma” reestreia em São Paulo refletindo sobre fama, fracasso e o ofício do ator

O Instituto Capobianco retoma a temporada do espetáculo A Palma, obra inédita que estreou em novembro de 2025 e retorna após breve pausa para os festejos de fim de ano. Em cartaz até 1º de fevereiro, com apresentações de sexta a domingo, em São Paulo, a montagem encerra a residência artística de um ano da mundana companhia no espaço e se consolida como uma das experiências mais densas e provocadoras da cena contemporânea paulistana ao refletir sobre o próprio fazer teatral, suas contradições, fragilidades e obsessões.

Escrito a quatro mãos por Claudia Barral e Marcos Barbosa, indicado ao Prêmio Jabuti 2025, o texto parte de um argumento concebido por Mariano Mattos Martins, ator e produtor que faz em A Palma sua estreia na direção teatral. O resultado é uma dramaturgia que articula camadas de ficção, memória e delírio, conduzindo o espectador por uma narrativa que se constrói menos pela linearidade e mais pela sobreposição de estados emocionais, imagens simbólicas e fragmentos de uma vida dedicada ao palco.

Em cena, três expoentes das artes cênicas brasileiras — Gilda Nomacce, Verónica Valenttino e Donizeti Mazonas — dão corpo à saga de Vânia Souto, atriz que sofre por não alcançar o estrelato e por ver sua trajetória marcada mais por frustrações do que por reconhecimento. Após um grave episódio de violência, Vânia recebe a visita dos amigos Marta Mourano e Sérgio Capanema, que tentam ajudá-la a enfrentar uma situação delicada envolvendo sua reputação. A partir desse encontro, a peça mergulha em um universo onírico no qual realidade e imaginação se confundem, fazendo do teatro um território de sobrevivência, fuga e reinvenção.

A pergunta que atravessa toda a obra — “o que mantém uma atriz viva?” — funciona como motor dramatúrgico e também como reflexão mais ampla sobre o lugar do artista na contemporaneidade. Questões como fama, talento, visibilidade, premiações e reconhecimento público surgem não como objetivos glorificados, mas como forças ambíguas, capazes tanto de alimentar sonhos quanto de provocar adoecimento emocional e existencial. A Palma expõe, com delicadeza e crueza, os mecanismos de desgaste que atravessam o cotidiano de quem escolhe viver da arte.

Inspirada na frase da escritora espanhola Rosa Montero, “a ficção é uma viagem ao outro”, a montagem se estrutura como um teatro dentro do teatro, no qual diferentes camadas ficcionais se sobrepõem e dialogam. “Esta viagem ao outro é uma espécie de ode ao teatro, esse espaço tão caro onde a loucura é sagrada. A peça apresenta um contexto ficcional permeado por várias outras camadas ficcionais, que nos conduzem a essa navegação proposta em A Palma”, afirma o diretor Mariano Mattos Martins.

Misturando comicidade e melancolia, momentos de leveza e extrema desolação, os personagens transitam por diversos universos, espaços e situações que emergem de um mesmo ponto de origem: o apartamento de Vânia. Ao mesmo tempo íntima e universal, a montagem constrói uma experiência que ultrapassa a narrativa tradicional e se expande em ecos de memória, fantasias interrompidas e aparições inesperadas, revelando como o ato de sonhar está profundamente ligado ao desejo de permanecer em cena.

A encenação é potencializada pela trilha sonora original de Negro Leo, que dialoga com os estados emocionais da dramaturgia, e pela iluminação de Wagner Antônio, responsável por criar atmosferas que transitam entre o real e o imaginário. Esses elementos contribuem para uma experiência sensorial que reforça o caráter fragmentado e poético da obra.

Mais do que contar a história de uma atriz em crise, A Palma se afirma como um convite à reflexão sobre a sobrevivência artística em meio às dores e maravilhas do ofício de ser ator. Ao colocar em cena os sonhos, traumas e desejos que atravessam a profissão, o espetáculo propõe um olhar sensível e crítico sobre a busca permanente por sentido, reconhecimento e permanência no palco.

Como atividade paralela à temporada, o Instituto Capobianco recebe, no dia 27 de janeiro, a palestra “Sonhos, delírios e ficções: a construção de personagens de A Palma”, com os dramaturgos Marcos Barbosa e Claudia Barral, que discutem processos de pesquisa, criação dramatúrgica e a relação entre texto e cena, em diálogo direto com o público.

Serviço:

Espetáculo “A Palma”
De 16 de janeiro a 1º de fevereiro de 2026. Sextas e sábados às 20h | Domingos às 18h no Instituto Capobianco (Rua Álvaro de Carvalho, 97 – São Paulo/SP). Duração: 80 minutos.

Ingresso: R$ 30 (inteira) | R$ 15 (meia).
Instagram: @institutocapobianco @mundanacompanhia
Classificação indicativa: 16 anos.

By Jordan Vall

É jornalista, com uma maior atuação na cultura e entretenimento. Deu início a sua carreira na televisão, na TV Unifor, como produtor, repórter e apresentador do principal jornal da emissora universitária. O profissional já foi produtor e comentarista de um quadro do Programa Matina, na TV União. No “Deu O Que Falar”, quadro semanal da emissora aberta, comentava sobre o mundo dos famosos, levava pautas relevantes para a sociedade, através das notícias das celebridades. Foi durante 2 anos, produtor, diretor e repórter na TV Otimista e atualmente é assessor de comunicação, CEO na Assertiva Comunicação e Colunista do Portal Conexão Magazine (Portal de Notícias no Rio de Janeiro). O jornalista também é apresentador do Mesa de Negócios no Grupo Opinião Ceará. Como amante da moda, foi convidado para ser jurado da 6ª e 7ª edição do Salão de Moda Ceará. Além de todas essas atuações, Jordan é CEO/Fundador e repórter no IN Fluxo Portal, tratando de pautas culturais, cobertura de eventos e muito mais. O profissional também atua como modelo e influenciador digital. Instagram: @jordan_vall / contato comercial: jordanvall@influxoportal.com

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