Por muito tempo, a arquitetura foi pensada apenas para organizar espaços. Hoje, ela começa a ser reconhecida como aliada da saúde mental e do desenvolvimento neurológico, especialmente no universo do Transtorno do Espectro Autista (TEA). Neste 2 de abril, Dia Mundial da Conscientização do Autismo, a neuroarquitetura surge como uma ferramenta de transformação silenciosa, porém poderosa.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, uma em cada 100 crianças no mundo está dentro do espectro autista. No Brasil, os números são imprecisos, mas estima-se que mais de 2 milhões de pessoas convivam com o TEA. Diante desse cenário, adaptar escolas, clínicas e até casas com um olhar neuroarquitetônico não é mais um luxo, é uma necessidade urgente.
A premissa é simples, mas profunda: o espaço em que uma criança vive, brinca ou estuda pode interferir diretamente em seu bem-estar emocional, comportamento e capacidade de aprendizagem. E quando se trata de pessoas com autismo, cujas necessidades sensoriais são intensificadas, projetar com consciência faz toda a diferença.
“Cada estímulo conta. Um ambiente com excesso de ruídos visuais, luz forte ou circulação confusa pode ser um gatilho de desconforto. Já um espaço planejado com intenção pode acalmar, estimular e acolher ao mesmo tempo”, explica a arquiteta Rose Chaves, especialista em design de interiores e aplicação da neuroarquitetura em espaços terapêuticos.
A metodologia une conhecimentos da neurociência, psicologia e arquitetura para criar ambientes que favoreçam o equilíbrio neurológico. Cores suaves, iluminação difusa, texturas agradáveis ao toque e a organização funcional dos móveis são alguns dos pilares. Mas a mágica está na combinação precisa desses elementos, sempre adaptada à realidade e às sensibilidades de cada indivíduo.
Além do conforto sensorial, Rose destaca que o ambiente também pode promover autonomia e socialização, pontos-chave para o desenvolvimento no espectro. “Áreas lúdicas, caminhos intuitivos e móveis acessíveis ajudam a criança a se sentir segura para explorar, tomar decisões e se expressar. É mais do que estética: é uma ferramenta de inclusão”, finaliza.