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A Jornada de Autoconhecimento, Superação e Renascimento de uma Mulher Que Encontrou Cura e Propósito na Arte

ByElexsandro Araújo

nov 3, 2024

“Pra falar de mim, preciso começar falando da minha mãe. Eu nasci numa tarde de 22 de setembro de 1988. Minha mãe, com apenas 19 anos, me teve sozinha na cidade de São Paulo. Ela morava no Rio de Janeiro e saiu de casa cedo para trabalhar e ganhar a vida. Minha mãe sempre foi sozinha e, como muitas outras, tinha que dar conta da casa, três filhos e trabalho. Tenho certeza de que não foi nada fácil, mas ela fez tudo que podia, não só por nós três, mas também por muitas outras pessoas.

Criada no Rio de Janeiro, estudei grande parte em escola pública no RJ. Me formei em Publicidade e Propaganda e fiz pós em Marketing Estratégico. Iniciei minha carreira profissional na área de RH como jovem aprendiz na mineradora Vale e, de lá pra cá, a vida foi me levando por caminhos diferentes. Minha vida profissional foi bem agitada! Da mineradora, fui para assistente de produção no setor audiovisual, passei por empresa familiar de calçados, franqueadoras de padaria e restaurante, marca de bolsas caríssimas, fiz bicos em eventos e até fui funcionária de bar. No meu currículo, poderia colocar “Faz tudo!”

Embora muito grata por todos os lugares por onde passei e por todo aprendizado, eu sentia que não me encaixava em nenhum deles. Eu sempre dizia que não nasci para ficar sentada entre quatro paredes olhando pra uma tela. Eu queria liberdade, mas não sabia como. Em 2022, encerrei um ciclo após meu divórcio, deixei a vida no Rio de Janeiro para trás e fui trabalhar em um bar na ilha de Fernando de Noronha. Até então, meu plano era ficar por lá durante 1 ano, mas acabei me apaixonando por um visitante mineiro, e 1 ano virou 6 meses. Em setembro de 2022, fui morar em Belo Horizonte; em 2023, casamos de véu e grinalda e fomos morar em São Paulo. E foi aí que minha vida virou do avesso.

Toda minha trajetória até aqui foi acompanhada de boas crises de depressão. Ouvia de muita gente: “…mas você é tão alegre, divertida…”. Quem conviveu comigo sabia que era bem sério e que não era nada fácil.

Quando fomos morar em São Paulo, embora eu tenha nascido lá, é uma cidade com a qual tenho zero relação. Lá, tive uma das piores crises da minha vida. Na verdade, comecei a desandar em BH, mas em SP piorou MUITO. Foram algumas tentativas cruéis de tentar parar a dor, algumas internações, noites sem dormir, medo de sair de casa. Não existia energia para levantar da cama, escovar os dentes, comer…

Em uma dessas internações, precisei de um laudo médico para ter alta e, então, estava lá: “Paciente com Transtorno de Personalidade Borderline.” No primeiro momento, fiquei sem chão, sem aceitar, até porque sempre fui tratada como uma pessoa depressiva. Cheguei a ouvir que eu era bipolar, mas eu tinha certeza de que não era bipolar, e achava que depressão ainda não era o que eu tinha.

Depois de tentar parar a dor, tentando tirar minha vida, entendi que Deus me queria viva e, em 28 de outubro de 2023, tive alta da minha última internação. Comecei a estudar e a tentar me entender, claro, com ajuda dos meus médicos, marido, familiares e amigos. Aliás, preciso compartilhar que meu marido foi e ainda é a pessoa que mais me deu força pra eu não desistir. Tenho certeza absoluta de que foi uma fase horrível para quem estava do meu lado, mas ele dizia: “Eu não vou desistir de você!” Imagine: recém-casados, mal nos conhecíamos e casamos; cidade nova para os dois; muitas mudanças; eu sem nenhuma estabilidade emocional. Foi um pesadelo!

Bom! Eu amo arte, todos os níveis e segmentos da arte. Inclusive, cheguei a fazer teatro no Tablado e Oficina de Atores quando morava no Rio de Janeiro. Em São Paulo, cursei pintura na Academia Brasileira de Artes. E, além de remédios, terapia, paciência e amor, a arte também me ajudou muito no processo de cura.

Em março de 2024, voltamos a morar em Belo Horizonte. Acabei me adaptando e amando a cidade; era o que eu queria, era o que eu precisava. Aliás, era o que nós dois precisávamos.

Ao longo dos meses, comecei a fazer peças decorativas pra passar o tempo, como colar de mesa e pintura em tela, e de repente conheci a arte em concreto e me apaixonei! Mesmo com muito incentivo de minha mãe e meu marido para fazer aquilo virar um negócio, entrei num pensamento negativo, achando que aquilo não faria diferença no mundo, que não era um trabalho sério. Eu pressentia uma cobrança da sociedade, como: “Nossa! Com um currículo desse, você vai vender peças de concreto?” Eu mesma me cobrava. Mas, com muita conversa, aos poucos fui valorizando a ideia, entrei de cabeça e comecei a transformar a minha paixão pela arte em negócio.

No dia 28 de outubro de 2024, completou-se um ano da minha virada de chave. Esse dia é muito especial pra mim porque sou devota de São Judas Tadeu. Lembro que saí do hospital com minha tia, que dedicou meses da sua vida para ajudar a cuidar de mim, e disse a ela que queria ir direto para a igreja de São Judas. Eu estava me sentindo suja, fraca, muito cansada emocionalmente, mas, mesmo assim, fomos até lá, e entreguei minha cabeça de cera a São Judas Tadeu.

Meus médicos dizem que, pro meu caso, tive uma melhora muito boa em pouco tempo. Pode ter sido o amor que recebi, os remédios, São Judas Tadeu, as sessões de terapia, a arte ou a mudança para BH. Eu acredito que foi tudo isso junto com a minha vontade de viver. Eu amo viver! De pior maneira possível, eu só queria que a dor parasse.

Hoje, melhor do que feliz, me sinto grata e em paz. Ainda em tratamento — aliás, pra sempre, né? Todos nós estamos num eterno processo de cura, de melhorias internas e externas.

Em breve, a Âmbito, minha marca, estará no ar. Serão bons sentimentos transformados em peças decorativas.

E, sobre tudo isso, aprendi que a vida não é uma linha reta. Devemos, sim, nos planejar, mas estar preparados para mudanças ao longo do caminho. Um dia a gente cai; no outro, a gente levanta. Acredite em você! Aprendi que saúde é a melhor coisa que podemos ter e desejar a alguém, que a frase “você não está sozinho” é a mais pura verdade e que só o amor pode nos salvar, nos curar. Inclusive o amor pela arte.” diz Gabriela Monteiro.

By Elexsandro Araújo

Nascido em maio de 1986, em Recife, no estado de Pernambuco. É Empresário, Fisioterapeuta, Professor, Escritor, Jornalista, Colunista Social, Editor-Chefe na coluna de FRENTE com Elexsandro Araújo, Cantor. Lançou o seu primeiro CD gospel autoral em 2017: Milagres. Publicou sua autobiografia em 2019: Entre a vida e o MILAGRE. No ano de 2020 publicou sua literatura de cordel: Letras de um Pensador. Entre os anos de 2019 e 2020 recebeu quatro premiações: Prêmio Destaque Nordeste, Prêmio Colunista Social Destaque Bernardo Guedes, Prêmio Personalidade Regional e o Prêmio Ímpar Pernambuco. Possui diversas publicações em revistas nacionais e internacionais.

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