• sáb. out 24th, 2026

InFluxo Portal

O portal de notícias que traz o melhor da cultura, moda, saúde, bem-estar, economia e muito mais!

Brasil envelhece: país ganha 12 milhões de idosos em 12 anos e amplia demanda por geriatras

O Brasil ganhou mais de 12 milhões de idosos em pouco mais de uma década, uma transformação demográfica que já modifica a demanda por serviços de saúde e exige dos hospitais novas estratégias de atendimento. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em dezembro de 2025, a população com 60 anos ou mais passou de 22 milhões, em 2012, para 34,1 milhões, em 2024. O crescimento de aproximadamente 55% evidencia a necessidade de uma assistência médica que considere não apenas o tratamento de doenças, mas também a preservação da autonomia e da qualidade de vida.

No Ceará, a expectativa de vida chegou a 77,3 anos em 2024, superando a média nacional de 76,6 anos, conforme dados do IBGE divulgados em 2025. O aumento da longevidade traz novos desafios para a rede hospitalar, especialmente diante da maior frequência de doenças crônicas, limitações funcionais e condições clínicas que exigem acompanhamento de diferentes especialidades.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), em publicação atualizada em outubro de 2025, estima que o número de pessoas com 60 anos ou mais no mundo chegará a 1,4 bilhão em 2030. Até 2050, a população acima dos 80 anos deverá praticamente triplicar em relação a 2020, alcançando 426 milhões de pessoas. O cenário exige serviços de saúde capazes de oferecer atendimento integrado, individualizado e voltado à manutenção da capacidade funcional.

Em Fortaleza, o Hospital Cura d’Ars, da Rede São Camilo, passou a contar, desde julho deste ano, com uma área de internação dedicada à geriatria. A estrutura integra o Modelo Assistencial do Paciente Idoso, desenvolvido para atender às necessidades clínicas e funcionais dessa população, com prioridade para pacientes de 80 anos ou mais.

Cuidado especializado

O modelo contempla fluxo prioritário para idosos no pronto atendimento, sala exclusiva de medicação, atendimento de emergência direcionado e acompanhamento multiprofissional durante a internação. A proposta é oferecer uma assistência que considere as particularidades do envelhecimento e reduza os riscos associados à hospitalização.

Para a médica geriatra Lenora Barros, do Hospital Cura d’Ars, a assistência ao paciente idoso precisa considerar aspectos que ultrapassam o diagnóstico responsável pela internação. A avaliação integral permite identificar condições que podem comprometer a recuperação, mesmo quando o problema clínico apresenta melhora.

“Quando um idoso é internado, nossa preocupação não deve estar apenas na doença que o levou ao hospital. Precisamos avaliar sua mobilidade, cognição, alimentação, os medicamentos que utiliza e, principalmente, sua capacidade de manter a autonomia. O objetivo é que ele receba alta com as melhores condições possíveis para retomar sua rotina”, explica a geriatra.

Entre as condições que exigem atenção estão a perda de força muscular, o risco de quedas, a desorientação e as alterações cognitivas. Esses problemas podem surgir ou se agravar durante a hospitalização, especialmente entre pacientes mais frágeis ou que permanecem longos períodos no leito.

A OMS identifica a fragilidade, as quedas, o delirium — estado de confusão mental aguda — e as lesões por pressão entre as síndromes geriátricas que demandam atenção específica. O reconhecimento precoce dessas condições permite orientar medidas preventivas e reduzir a possibilidade de complicações.

No Cura d’Ars, a assistência envolve protocolos direcionados às necessidades dos idosos e acompanhamento integrado desde a admissão até a alta hospitalar. A prioridade para pessoas com 80 anos ou mais considera a maior vulnerabilidade clínica frequentemente observada nessa faixa etária. Os leitos também podem receber pacientes idosos mais jovens, conforme os critérios assistenciais da instituição.

Autonomia

Um dos principais desafios da geriatria é preservar a independência do paciente, mesmo diante de doenças crônicas ou limitações decorrentes da idade. A avaliação geriátrica considera fatores físicos, cognitivos, emocionais e sociais, permitindo identificar riscos que nem sempre aparecem nos exames convencionais.

“Envelhecer não significa necessariamente perder a independência. Existem pessoas com mais de 80 anos que mantêm uma vida ativa e outras, mais jovens, que apresentam fragilidades importantes. Por isso, a idade cronológica, isoladamente, não define as necessidades de cuidado. É fundamental compreender a condição de cada paciente”, destaca Lenora Barros.

A abordagem acompanha uma das principais recomendações da OMS para o envelhecimento saudável: preservar a capacidade funcional, permitindo que as pessoas continuem realizando atividades importantes para sua vida, mesmo quando convivem com doenças ou limitações.

Essa preocupação também modifica o planejamento da alta hospitalar. Além da melhora clínica, é necessário considerar se o paciente consegue caminhar, alimentar-se, administrar medicamentos e realizar atividades cotidianas com segurança, bem como identificar a necessidade de reabilitação ou apoio familiar.

“Uma internação bem-sucedida não pode ser avaliada somente pela resolução do problema clínico. Precisamos observar como aquele paciente sai do hospital, se houve perda de funcionalidade e quais cuidados serão necessários depois da alta. Preservar a autonomia também faz parte do tratamento”, acrescenta a médica.

Novas demandas

O envelhecimento da população também exige mudanças na organização dos serviços hospitalares. Equipes capacitadas, ambientes adaptados, prevenção de quedas, revisão de medicamentos e acompanhamento multiprofissional passam a ter maior importância na assistência a pacientes idosos.

Em fevereiro de 2025, a OMS publicou um estudo sobre cuidados de longa duração em populações envelhecidas, destacando que o crescimento desse grupo amplia a pressão sobre os serviços hospitalares e aumenta a necessidade de alternativas de acompanhamento para pessoas com doenças crônicas ou perda de autonomia.

No Hospital Cura d’Ars, a implantação do modelo geriátrico representa uma reorganização da assistência, com protocolos específicos e estrutura direcionada a pacientes que necessitam de maior atenção durante a internação. A mudança no perfil etário da população também coloca a prevenção de complicações e a preservação da independência entre as prioridades do atendimento hospitalar, especialmente em uma realidade na qual viver mais exige cuidados cada vez mais individualizados.

By Jordan Vall

É jornalista, com uma maior atuação na cultura e entretenimento. Deu início a sua carreira na televisão, na TV Unifor, como produtor, repórter e apresentador do principal jornal da emissora universitária. O profissional já foi produtor e comentarista de um quadro do Programa Matina, na TV União. No “Deu O Que Falar”, quadro semanal da emissora aberta, comentava sobre o mundo dos famosos, levava pautas relevantes para a sociedade, através das notícias das celebridades. Foi durante 2 anos, produtor, diretor e repórter na TV Otimista e atualmente é assessor de comunicação, CEO na Assertiva Comunicação e Colunista do Portal Conexão Magazine (Portal de Notícias no Rio de Janeiro). O jornalista também é apresentador do Mesa de Negócios no Grupo Opinião Ceará. Como amante da moda, foi convidado para ser jurado da 6ª e 7ª edição do Salão de Moda Ceará. Além de todas essas atuações, Jordan é CEO/Fundador e repórter no IN Fluxo Portal, tratando de pautas culturais, cobertura de eventos e muito mais. O profissional também atua como modelo e influenciador digital. Instagram: @jordan_vall / contato comercial: jordanvall@influxoportal.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *