Levantamento realizado pelo Instituto QualiBest mostra que 41% dos profissionais em cargos de liderança afirmam abrir mão de aspectos da cultura organizacional para alcançar as metas estabelecidas. O estudo ouviu 1.406 profissionais e também identificou que ações de bem-estar e capacitação estão entre as primeiras medidas cortadas quando aumenta a pressão por resultados.
Entre diretores e gerentes, 65% apontam o corte de iniciativas de bem-estar e capacitação como uma das principais respostas das empresas em momentos de maior cobrança. Ao mesmo tempo, 89% dos entrevistados reconhecem que uma cultura organizacional forte contribui para melhores resultados.
Para Silvia Letícia, advogada especialista em gestão, os dados mostram que muitas empresas ainda tratam cultura como uma frente secundária da gestão. “O problema não está em cobrar resultados. O problema aparece quando, para atingir uma meta, a empresa começa a abrir mão justamente das práticas que sustentam o ambiente e a própria operação. Isso pode gerar resultado imediato, mas cobra um preço depois”, afirma.
A pesquisa também aponta uma diferença entre a cultura definida pelas empresas e aquela percebida pelos profissionais. Apenas 36% dizem que a cultura organizacional é praticada sempre no dia a dia. Entre os cargos de liderança, a percepção também varia: 60% dos profissionais de diretoria e C-level consideram que a cultura é praticada no cotidiano, enquanto esse índice cai para 45% entre gerentes, 32% entre coordenadores e 23% entre analistas.
“Essa diferença de percepção é um sinal de alerta. Se a liderança entende que a cultura está funcionando, mas quem está na operação não enxerga isso, existe uma falha de gestão. Cultura não é o que está escrito nos valores da empresa; é o que acontece na prática, principalmente quando existe pressão”, explica Silvia.
Outro dado do levantamento mostra que 79% dos profissionais consideram a cultura organizacional um fator relevante para suas decisões de carreira. Para 73%, ela já influenciou decisões como permanecer ou sair de um emprego, aceitar uma oportunidade ou escolher uma empresa.
Na avaliação da especialista, o resultado reforça a necessidade de aproximar cultura e estratégia. “Cultura precisa estar presente nas metas, nas decisões, na forma de liderar e na maneira como a empresa reconhece e desenvolve seus profissionais. Quando ela só aparece no discurso institucional, não existe coerência entre gestão e prática”, conclui Silvia.
