Foto: Pedro Bessa
A Cave apresenta o projeto “Ignação” no pavilhão Brasil Contemporâneo da ArtRio 2026. O evento acontece de 16 a 20 de setembro, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, e chega à sua 16ª edição como uma das principais feiras de arte da América Latina. O evento reúne galerias, artistas, colecionadores e profissionais do setor, com projetos distribuídos entre os pavilhões MAR e TERRA. Além das galerias, a programação inclui projetos solo e duo, arte brasileira contemporânea, instituições, videoarte, conversas e outras ações voltadas à circulação, ao debate e ao mercado de arte.
O projeto “Ignição“, com curadoria de Lucas Dilacerda, apresenta obras de artistas mulheres e travestis que apresentam uma alta concentração de energia expressa em cor e matéria. Na física, a ignição é o momento em que a energia acumulada ultrapassa um limiar crítico e desencadeia uma transformação radical. Nesse sentido, o projeto reúne obras onde a cor e a matéria saem do seu estado natural e passam a existir de forma diferente do habitual.
Bárbara Banida cria esculturas que parecem seres que ainda estão nascendo. Elas misturam características de plantas, animais, pedras e até criaturas imaginárias, sem pertencer a nenhuma espécie conhecida. A artista fabula “Erotar”, um planeta em estado de regeneração, onde tudo está sempre crescendo e se transformando. Suas esculturas e paisagens parecem existir antes da invenção do mundo. Suas formas recusam qualquer classificação e permanecem abertas à infinita transmutação da matéria.
Jane Batista usa a fotografia para contar sua própria história e mostrar a força de sua ancestralidade afro-indígena. Ela faz autorretratos usando o próprio corpo e objetos simples, como galhos, folhas, sementes, tecidos, carvão e barro, transformando tudo em personagens e máscaras. A artista transforma o próprio corpo em território de transmutação. Ao incorporar materiais orgânicos, ela faz da fotografia uma experiência que conecta corpo e natureza.
Gi Monteiro pesquisa o escuro como um lugar de liberdade. Suas obras falam sobre a experiência de pessoas negras e trans, mostrando que, muitas vezes, foi no escuro que elas encontraram segurança e liberdade. Em vez de mostrar figuras reconhecíveis, Gi usa formas abstratas para lembrar que, mesmo quando não podemos ver, a vida continua crescendo debaixo da terra, e em cima nas nuvens. A artista trabalha a cor como uma energia que brota do escuro da terra. Seus pigmentos naturais, suas pinturas abstratas e suas superfícies vibrantes fazem do escuro um espaço fértil de liberdade.
Telma Gadelha pinta cenas inspiradas nas festas populares, misturando santos, máscaras, espíritos, demônios, danças e tradições antigas. Seus personagens vivem entre mundos: entre o terreno e o espiritual, entre a ordem e o caos, entre o sagrado e o profano, entre o ancestral e o contemporâneo. A artista mistura tradições antigas com novas tecnologias, como drones e objetos atuais. Em suas pinturas, a cor ocupa a tela como uma força indomável.
Em “Ignição”, a cor e a matéria deixam de ser apenas elementos visuais para se tornarem manifestações de uma energia em permanente estado de transmutação. Cada obra registra o instante em que essa energia ultrapassa seu estado de equilíbrio e inaugura novas possibilidades para o corpo, a natureza, a memória e a imaginação.
