O aumento da digitalização dos negócios tem ampliado a dependência das empresas de redes, servidores e sistemas conectados. Ao mesmo tempo, cresce a exposição a falhas que nem sempre recebem a atenção necessária. Segundo o Data Breach Investigations Report (DBIR) 2026, da Verizon, a exploração de vulnerabilidades foi responsável por 20% das violações de segurança analisadas no último ano, registrando crescimento expressivo em relação ao levantamento anterior. O dado reforça um problema recorrente dentro das organizações: falhas técnicas aparentemente pequenas continuam abrindo caminho para prejuízos financeiros, interrupções operacionais e incidentes de segurança.
Para Pericles D’Elia Junior, empresário e especialista em infraestrutura tecnológica, segurança eletrônica e audiovisual, muitas empresas concentram esforços na aquisição de novas tecnologias, mas deixam em segundo plano a manutenção da estrutura responsável por sustentar toda a operação.
“Grande parte dos problemas não começa com um ataque sofisticado. Muitas vezes a origem está em uma falha de configuração, um equipamento sem atualização, uma vulnerabilidade que ficou anos sem correção ou uma rede que nunca passou por uma revisão adequada”, afirma.
Segundo ele, a falsa sensação de que tudo está funcionando normalmente costuma ser um dos principais obstáculos para investimentos preventivos. Como a infraestrutura opera nos bastidores, os riscos só costumam ganhar visibilidade quando ocorre uma interrupção significativa.
“Quando uma rede para, um servidor apresenta falha ou um sistema fica indisponível, o impacto vai muito além do setor de tecnologia. Equipes deixam de produzir, clientes enfrentam dificuldades de atendimento e processos importantes podem ser interrompidos por horas ou até dias”, explica.
O cenário se torna ainda mais relevante diante do crescimento dos ataques cibernéticos direcionados a empresas de todos os portes. O próprio relatório da Verizon aponta que a exploração de vulnerabilidades registrou um dos maiores avanços entre os vetores de ataque observados em 2025, impulsionada principalmente pela demora na aplicação de correções e atualizações de segurança.
Na avaliação de Pericles, a manutenção preventiva continua sendo uma das medidas mais eficazes para reduzir riscos operacionais e fortalecer a continuidade dos negócios.
“Muitas empresas investem em ferramentas modernas de segurança, mas deixam de revisar a infraestrutura básica. Sem monitoramento adequado, atualizações periódicas e testes preventivos, as vulnerabilidades permanecem abertas e aumentam a exposição da operação”, diz.
Ao longo de mais de 25 anos de atuação em projetos de infraestrutura tecnológica, redes corporativas e segurança eletrônica, o especialista afirma que os problemas mais graves geralmente são precedidos por sinais que poderiam ter sido identificados com antecedência.
“Lentidão constante, quedas intermitentes, equipamentos operando acima da capacidade e falhas recorrentes costumam ser alertas importantes. Quando esses sinais são ignorados, o custo da correção normalmente se torna muito maior do que o investimento necessário para prevenir o problema”, afirma.
Para Pericles, o crescimento da inteligência artificial, da computação em nuvem e dos ambientes cada vez mais conectados torna a manutenção preventiva ainda mais estratégica para as empresas.
“A tecnologia está evoluindo rapidamente, mas os fundamentos continuam os mesmos. Uma infraestrutura saudável, monitorada e atualizada continua sendo uma das principais formas de proteger a operação, reduzir riscos e evitar prejuízos que poderiam ser perfeitamente evitados”, conclui.
