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Mais de 4,3 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais estão à frente do próprio negócio, segundo dados do Sebrae. O número reflete o avanço da chamada economia prateada no país e mostra como a aposentadoria tem deixado de representar o fim da vida produtiva para dar espaço a uma nova fase marcada por autonomia financeira, propósito e geração de renda. Esse movimento acompanha as mudanças demográficas e econômicas do país, além da permanência cada vez maior da população acima dos 60 anos em atividades produtivas e na geração de renda.
“O envelhecimento populacional no Brasil é uma realidade impulsionada pelo aumento da expectativa de vida e pela queda na taxa de fecundidade. Em muitos casos, o empreendedorismo surge pela falta de oportunidades no mercado formal, mas também existe uma busca por autonomia, independência financeira, propósito e qualidade de vida”, explica Jhonatan Davi da Silva Reis, gerente do ponto de atendimento da Sicoob Coopmil, em Campinas.
Nesse cenário, o cooperativismo tem se consolidado como uma alternativa para quem deseja empreender na maturidade. Segundo Reis, além do acesso a crédito e soluções financeiras, as cooperativas também atuam na orientação e no planejamento de longo prazo. “O cooperativismo favorece a inclusão econômica e social das pessoas acima dos 60 anos por meio da cooperação, do compartilhamento de recursos e da gestão coletiva. As cooperativas oferecem capacitação, orientação e segurança para quem deseja iniciar ou fortalecer um negócio próprio”, afirma.
O atendimento mais próximo e humanizado também aparece como diferencial das cooperativas para o público 60+. “O relacionamento mais próximo com o cooperado faz diferença no acesso ao crédito, na orientação financeira e no planejamento de longo prazo. Esse modelo contribui para o fortalecimento do empreendedorismo 60+, com soluções mais alinhadas à realidade desse público”, destaca o especialista.
Negócios na maturidade
Apesar do crescimento da economia prateada, empreender após os 60 anos ainda envolve desafios importantes, principalmente relacionados à transformação digital e à velocidade das mudanças no mercado. “A transformação digital acelerou processos de vendas, atendimento e divulgação. O empreendedor 60+, muitas vezes, não está habituado a essa dinâmica, e acompanhar esse ritmo de adaptação pode ser um desafio. O mercado exige aprendizado contínuo”, pontua Reis.
Para o especialista, o planejamento financeiro e a organização são passos essenciais para quem deseja começar a empreender após a aposentadoria. “Antes de investir, é fundamental avaliar a situação financeira atual e entender quanto pode ser aplicado sem comprometer a aposentadoria, a reserva de emergência e os gastos da família. Também é importante pesquisar o mercado, entender o público-alvo e buscar orientação especializada”, orienta.
Ainda segundo ele, é importante separar finanças pessoais das finanças da empresa, manter controle do fluxo de caixa e evitar endividamentos excessivos. “A experiência acumulada ao longo da vida pode ser uma grande vantagem competitiva. Com planejamento, orientação e apoio adequado, é possível transformar conhecimento e vivência em negócios sustentáveis e com propósito”, conclui.
