O Maio Verde é o período destinado para a conscientização sobre a doença celíaca. Essa enfermidade é caracterizada como uma reação do intestino à ingestão do glúten, o que faz com o que o sistema imunológico ataque os próprios tecidos saudáveis causando uma inflamação. Segundo a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra), a doença celíaca atinge 1% da população mundial e no Brasil, dois milhões de pessoas convivem com ela.
A nutricionista do Instituto de Saúde e Gestão Hospitalar (ISGH), Eva Lima, explica que, apesar do que muita pessoas pensam, o glúten não é um carboidrato, mas sim uma proteína presente em cereais, como trigo, centeio e cevada. “O glúten é a única proteína que o organismo não digere totalmente, fazendo a sua absorção ser mais lenta. Para quem possui diagnóstico de doença celíaca, os danos de ingerir podem ser tão graves que a única forma de tratamento é a restrição de alimentos como pães e massas”, afirma.
Com a inflamação, o intestino passa a não absorver nutrientes e esse quadro vem com sintomas típicos de quem comeu algo que não caiu bem, como vômito, diarreia, gases, sensação de inchaço, dores abdominais e azia. Porém os sintomas são sistêmicos e não somente ligados ao intestino.
“A doença celíaca é crônica e, até o momento, não há cura. Porém, ela tem um controle bem eficaz: com uma dieta rigorosamente sem glúten. A partir disso, a inflamação regride, o intestino cicatriza e o paciente pode ter uma excelente qualidade de vida”, esclarece Eva.
Dieta
A partir da confirmação do diagnóstico, o paciente precisa tirar 100% do glúten da rotina alimentar, mesmo sendo uma premissa simples, não é fácil. Infelizmente não basta ficar longe dos alimentos e nem comprar produtos sem glúten, uma pessoa celíaca tem que reformular totalmente sua vida. “O glúten pode facilmente aparecer em outros alimentos processados, além de estar presente devido à contaminação cruzada que pode ocorrer com utensílios que são compartilhados, superfícies contaminadas e até a bucha de lavar louça”, enumera.
Além desses, outros cuidados indispensáveis são necessários, por exemplo, manter o acompanhamento com médico e nutricionista, realizar exames para checar possíveis deficiências nutricionais e ter atenção ao impacto emocional causado pela restrição imposta por conta dessa condição.
