Campinas recebe, no próximo dia 9 de maio, o espetáculo “Meu Nome: Mamãe”, da mundana companhia, trabalho que se destaca no cenário contemporâneo por abordar o Alzheimer a partir de uma perspectiva íntima e, ao mesmo tempo, estética. A apresentação integra a circulação pelo interior paulista viabilizada pelo ProAC, iniciativa que fomenta a difusão cultural e amplia o acesso a produções teatrais fora dos grandes centros.
No palco do Teatro Barracão o ator Aury Porto conduz uma encenação que se afasta da narrativa linear para explorar as rupturas provocadas pela perda de memória. Inspirado em sua vivência pessoal com a mãe diagnosticada com a doença, o espetáculo constrói uma dramaturgia fragmentada, na qual lembranças, gestos e silêncios se entrelaçam.
Sob direção de Janaína Leite, reconhecida por trabalhos que transitam entre a autobiografia e a investigação cênica, a montagem propõe uma experiência que ultrapassa o relato biográfico. Em cena, o ator alterna entre diferentes estados e identidades, evocando a instabilidade característica do Alzheimer e convidando o público a acompanhar esse processo de transformação.
A proposta não se limita à representação da doença, mas busca refletir sobre temas mais amplos, como o envelhecimento, o cuidado e a construção da identidade. Nesse contexto, o humor surge pontualmente como elemento de contraste, contribuindo para humanizar a experiência e aproximar o espectador.
A circulação pelo interior paulista reforça o caráter social do projeto. Em Campinas, estão previstas duas sessões: a primeira, às 17h, contará com tradução em Libras, ampliando o acesso ao público; a segunda, às 20h, será seguida de uma conversa entre artistas e espectadores, promovendo o debate e a troca de impressões sobre a obra e seus desdobramentos.
Com trajetória consolidada no teatro brasileiro, Aury Porto reúne no espetáculo referências de sua formação artística e de sua pesquisa cênica, construindo um trabalho que alia rigor técnico e sensibilidade. “Meu Nome: Mamãe” se apresenta, assim, como uma obra que convida à reflexão ao mesmo tempo em que reafirma o papel do teatro como espaço de escuta e diálogo.
