O Abril Verde é uma campanha anual dedicada à conscientização sobre saúde e segurança no trabalho, buscando reduzir acidentes e doenças laborais por meio de prevenção ativa. O movimento ganhou força no Brasil em razão da data de 28 de abril, quando são celebrados o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho e o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho. O objetivo é promover ações educativas em empresas e instituições para fomentar uma cultura de proteção.
Essa cultura preventiva não é por acaso. Somente no primeiro semestre do ano passado, o Brasil registrou 380.376 acidentes de trabalho e 1.689 mortes, representando aumentos de 9% nos acidentes e 5,6% nos óbitos em relação a 2024, conforme o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
“A campanha tem como iniciativa conscientizar toda a população de trabalhadores, tanto da indústria, como trabalhadores em geral, sobre a saúde e a segurança no trabalho. O principal objetivo é reduzir as doenças relacionadas ao trabalho e os acidentes de trabalho, promover a cultura de prevenção dos ambientes laborais, estimular práticas seguras e saudáveis nas organizações e sensibilizar empregadores e trabalhadores sobre os riscos ocupacionais. Ela estimula as empresas a fazer os programas de gerenciamento de risco e o Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional, o PCNSO”, explica Gustavo Adolfo Pereira da Silva Júnior, Ortopedista-traumatologista, médico do Trabalho e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – Regional Ceará (SBOT-CE).
Esclarecimento
Abril Verde estimula parcerias entre empregadores, trabalhadores e órgãos fiscalizadores para implementar políticas de saúde integral, incluindo saúde mental e física, com símbolos como o laço verde para visibilidade. Ortopedistas contribuem com palestras sobre posturas corretas e reabilitação, reduzindo impactos de longo prazo em pacientes com fraturas ou tendinopatias crônicas.
De acordo com Gustavo Adolfo Pereira da Silva Júnior, os principais pontos a serem observados por empregados e empregadores são a adoção de posturas corretas, a utilização de equipamentos de proteção adequados e a realização de exames periódicos. “O empregador tem que ter consciência de que precisa antecipar, eliminar os fatores causadores de lesões ortopédicas. Ele deve promover ergonomia, treinamentos, vigilância de saúde, mapeamento dos riscos ergonômicos e adequação do processo produtivo, garantindo um ambiente de trabalho seguro e ergonomicamente adequado”, esclarece o ortopedista. “E do ponto de vista legal, técnico e preventivo, não basta orientar verbalmente: é preciso reforçar, identificar os riscos, implementar medidas concretas, treinar, monitorar e corrigir”, reforça.
Com esse conjunto de medidas, algumas doenças ortopédicas podem ser evitadas, conforme Gustavo Adolfo Pereira da Silva Júnior. “Alguns exemplos de problemas ortopédicos são a lombalgia ocupacional, hérnias de disco, as tendinites do manguito rotador, do ombro, as síndromes do túnel do carpo, do punho, as epicondilites do cotovelo e as doenças de dor, ou seja, as dores crônicas do joelho por sobrecarga e as dores cervicais por costura inadequada. Ou seja, muitas vezes não há um acidente, mas sim microtraumas cumulativos nas lesões ortopédicas” esclarece o membro da SBOT-CE.
