Crédito: Flávio de Castro
A Cave inaugura neste sábado, 25 de abril, das 16h às 20h, a exposição “Assombro”, primeira individual da artista mineira Rita Lessa. Com a curadoria de Lucas Dilacerda, a mostra reúne pinturas, têxteis e esculturas que atravessam 50 anos de pesquisa e produção sobre a imagem como um campo de manifestação de imagens do inconsciente.
Nascida em Belo Horizonte, em 1959, Rita Lessa foi aluna de Amilcar de Castro na Escola Guignard, estudou com Lygia Pape, e conviveu com Nise da Silveira no Museu de Imagens do Inconsciente. A artista compreende a pintura como uma escuta, isto é, como um meio de acessar dimensões subterrâneas da experiência, onde formas emergem como presenças híbridas, situadas entre figuração e abstração. Em “Assombro”, essa pesquisa ganha densidade ao apresentar a imagem não como representação, mas como condensação de forças.



As obras instauram um regime figural em permanente transformação. Corpos indeterminados, ao mesmo tempo orgânicos e geométricos, parecem surgir de um campo de intensidades que atravessa o inconsciente, convocando o espectador a uma experiência que ultrapassa a leitura racional.
A produção da artista apresenta temas como corpo, espiritualidade, fantasmagoria e cosmogonia, propondo uma pintura que se aproxima de uma escuta do inconsciente coletivo. Suas telas operam como portais para imagens primordiais, anteriores à linguagem, que estruturam a experiência sensível e simbólica.
Esse impulso também se desdobra nos trabalhos têxteis e escultóricos presentes na exposição. Tecidos densamente impregnados de matéria configuram arquiteturas frágeis e mutantes, enquanto esculturas prolongam no espaço essas presenças espectrais, criando um ambiente que tensiona percepção e linguagem. A exposição propõe um deslocamento do olhar, instaurando uma zona onde a imagem deixa de ser signo para se tornar acontecimento.
