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“O Céu Fora Daquela Janela” ganha primeira montagem brasileira no Sesc Vila Mariana

Crédito da foto: Alê Catan

Originalmente encomendada e encenada pelo National Theatre, de Londres, a peça The Welkin, da prestigiada dramaturga britânica Lucy Kirkwood, ganha uma versão brasileira pela Bendita Trupe que define a montagem como “uma odisseia de tirar o fôlego”. Agora, sob o título de O Céu Fora Daquela Janela, o trabalho estreia no dia 21 de março e permanece em cartaz até o dia 26 de abril no Teatro Antunes Filho, no Sesc Vila Mariana.

O texto propõe uma releitura feminina do clássico do cinema Doze Homens e uma Sentença (1957 – direção de Sidney Lumet), estrelado por Henry Fonda. Mantém-se a estrutura do júri encarregado de decidir o destino de uma acusada, mas aqui o centro da cena é ocupado por mulheres, deslocando o eixo de poder e perspectiva.

A direção é de Johana Albuquerque – diretora, pesquisadora e atriz, fundadora da Cia. Bendita Trupe – que propõe um encontro entre diferentes gerações da cena teatral paulistana. No elenco, artistas com trajetórias consolidadas e vozes mais recentes compartilham o espaço cênico: Aysha Nascimento, Nilcéia Vicente, Ester Laccava, Fernanda D’Umbra, Daniel Alvim, Vera Bonilha, Pedro Birenbaum, Cris Lozano, Maria Bia, Thais Dias, Claudia Missura, Agnes Zuliani, Jefferson Matias, Sofia Botelho, Cris Rocha, Raul Vicente e Clodd Dias.

Em O Céu Fora Daquela Janela, Lucy Kirkwood ambienta a ação no interior da Inglaterra, em 1759. Doze matronas são convocadas como um “júri emergencial” para determinar se Sally Poppy, condenada por participação no assassinato de uma criança, está grávida. A decisão é crucial: caso a gestação seja confirmada, a execução por enforcamento será substituída por prisão perpétua.

Nesse tribunal improvisado, confrontam-se forças estruturantes da época: ciência e superstição, autoridade médica masculina e saberes ancestrais femininos, justiça institucional e pressão popular. Ao tensionar esses campos, a autora expõe as fissuras de um sistema jurídico conduzido por homens e atravessado por interesses, crenças e disputas de poder.

“A dramaturgia se amplia na percepção de que esta é a história não escrita da experiência materna feminina. Contada com uma estimulante franqueza fraternal, 13 mulheres diversas formam um espectro deslumbrante, furioso e conflitante de humanidade e feminilidade, diante de uma estrutura jurídica que só trabalha para humilhar e massacrar a grande experiência do matriarcado”, comenta a diretora

The Welkin, texto original de Lucy Kirkwood, estreou em Londres em 2020, mas sua temporada inicial foi interrompida pela pandemia. Desde então, recebeu montagens em diferentes países, como Coreia do Sul, Eslovênia e Irlanda, entre outros.

Na versão brasileira, o dramaturgo-guia Cacá Toledo adotou um letramento feminista como eixo da tradução, priorizando escolhas no feminino — como “coberta” em vez de “cobertor” — em consonância com a centralidade das personagens mulheres. Ao mesmo tempo, os nomes próprios foram adaptados para formas mais usuais em português, buscando maior fluidez e aproximação com o público.

A ENCENAÇÃO

O Céu Fora Daquela Janela pode parecer apenas uma peça de julgamento. Mas existem muitas camadas que respiram nesta trama, que atravessam não somente o drama histórico, mas também a peça de suspense, a comédia, o ativismo, o simbolismo, o macabro e a tragédia.

Numa enorme cela, fria e escura, doze mulheres moradoras de uma mesma pequena cidade do interior são reunidas por horas a fio – sem comida, bebida, calor e luz. Este “júri emergencial” mistura mulheres generosas e cheias de sabedorias a outras, egoístas e preconceituosas, numa conversa sincera e nem sempre agradável sobre o que é ser mulher nos dias de hoje. “A trama percorre caminhos inusitados e simbólicos, trazendo além das conversas e embates entre essas mulheres tão diversas, relatos fantásticos e mágicos, ligados aos fetiches e fantasias femininas, como também, sua conexão com os elementos da natureza (a água, o fogo, as ervas, os aromas, as curas)”, acrescenta Albuquerque.

Já que a autora sinalizou ser crucial “que o grupo reflita a população do lugar em que a peça está sendo encenada e não a do Leste inglês dos anos 1750”, a teatralidade, característica peculiar da Bendita Trupe se une agora a potência do teatro negro, a presença de integrantes de outros relevantes grupos de teatro de São Paulo, além de também dar visibilidade ao corpo trans, revelando a preocupação da cia. de expressar, em cena, a diversidade presente em nosso país.

O Céu Fora Daquela Janela também segue uma abordagem mais corporal e menos psicológica. “Nossos espetáculos sempre são meio coreografados, porque é muito importante que as ações se tornem expressivas através do corpo”, comenta a encenadora.

O cenário de Simone Mina é quase uma instalação. Há uma cela que é como um espaço laboratorial, com estantes cheias de objetos translúcidos que contém líquidos, em uma referência à gestação e ao útero. Ao mesmo tempo, uma série de cadeiras suspensas fazem alusão ao enforcamento – estas são manipuladas constantemente para criar diferentes ambientes.

Os figurinos de Silvana Marcondes surgem a partir das referências históricas de roupas dos anos 1750/1780, com tangenciamentos à nossa atualidade urbana do século XXI. Trajes, modelagens e volumes daquele período serão mesclados com peças, acessórios e detalhes de vestes contemporâneas como calças, cintos, tecidos e calçados.

A composição musical de Pedro Birenbaum rompe fronteiras temporais e estilísticas ao reunir ópera clássica, música circense, disco music, funk, punk, dance e cantos de lavadeiras. Essa diversidade não é aleatória: cada linguagem musical dialoga com diferentes momentos históricos e simbólicos da condição feminina, revelando camadas de opressão, trabalho, festa, rebeldia e transformação. A proposta é traduzir musicalmente a evolução — e a resistência — das mulheres desde o século XVIII até a contemporaneidade.

As projeções em mapping e videografismos de Ana Lopes, os vídeos de Peterson Almeida e a Iluminação de Wagner Pinto, ampliam a dimensão simbólica da cena, estimulando a imaginação do espectador.

SINOPSE

Ambientado no interior da Inglaterra em 1759, o espetáculo é disparado a partir do julgamento de um crime hediondo em que um júri, formado exclusivamente por mulheres, coloca treze figuras, de origens e realidades diversas, dialogando sobre questões importantes do universo feminino: o olhar e o sentir da mulher sobre o seu próprio corpo, as dificuldades diante do universo do patriarcado, abuso, gravidez, maternidade, abandono, paixão, rejeição e sororidade.

By Jordan Vall

É jornalista, com uma maior atuação na cultura e entretenimento. Deu início a sua carreira na televisão, na TV Unifor, como produtor, repórter e apresentador do principal jornal da emissora universitária. O profissional já foi produtor e comentarista de um quadro do Programa Matina, na TV União. No “Deu O Que Falar”, quadro semanal da emissora aberta, comentava sobre o mundo dos famosos, levava pautas relevantes para a sociedade, através das notícias das celebridades. Foi durante 2 anos, produtor, diretor e repórter na TV Otimista e atualmente é assessor de comunicação, CEO na Assertiva Comunicação e Colunista do Portal Conexão Magazine (Portal de Notícias no Rio de Janeiro). O jornalista também é apresentador do Mesa de Negócios no Grupo Opinião Ceará. Como amante da moda, foi convidado para ser jurado da 6ª e 7ª edição do Salão de Moda Ceará. Além de todas essas atuações, Jordan é CEO/Fundador e repórter no IN Fluxo Portal, tratando de pautas culturais, cobertura de eventos e muito mais. O profissional também atua como modelo e influenciador digital. Instagram: @jordan_vall / contato comercial: jordanvall@influxoportal.com

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