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O que o retorno de “O Senhor dos Anéis” aos cinemas e a psicologia têm em comum?

Janeiro começou com uma notícia muito especial para fãs de “O Senhor dos Anéis” e para fãs de literatura fantástica de modo geral. Isso porque O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel completa 25 anos de lançamento e, como celebração, entre os dias 22 e 24 de janeiro, o público poderá ver pela primeira vez ou rever as obras no cinema, com o bônus de serem exibidas em suas versões estendidas.

Não é segredo que as obras escritas por J.R.R. Tolkien, assim como os filmes que ampliaram o alcance dessas histórias, dirigidos por Peter Jackson, continuam cativando públicos de diferentes idades e seguem sendo uma escolha recorrente para muitas pessoas maratonarem nos finais de semana, mesmo sem qualquer pretexto especial, apenas pelo prazer de acompanhar a jornada de Frodo e seus amigos.

Para o psicólogo Dr. Manoel Acioli, PhD em psicologia e terapia gamificada, o impacto duradouro da obra criada por Tolkien pode ser compreendido a partir de conceitos profundos da psicologia, que atravessam temas como identidade, pertencimento, amadurecimento emocional e construção de sentido.

Segundo Acioli, histórias épicas como O Senhor dos Anéis funcionam como verdadeiros mapas simbólicos do desenvolvimento humano. “Os personagens representam conflitos universais que atravessam gerações. Medo, coragem, tentação, amizade, perda e esperança são experiências humanas fundamentais. Quando o público se conecta com essas narrativas, ele também se conecta consigo mesmo”, explica.

Um dos principais elementos que sustentam essa relação afetiva ao longo do tempo é a estrutura narrativa da jornada do herói, modelo amplamente estudado na mitologia e na psicologia e popularizado por Joseph Campbell. Essa estrutura descreve processos de autoconhecimento, transformação pessoal e desenvolvimento da identidade. Do ponto de vista das Terapias Cognitivo-Comportamentais, essa relação afetiva com narrativas ficcionais pode ser compreendida a partir do uso de protótipos narrativos socialmente aprendidos, que funcionam como modelos cognitivos organizadores de expectativas sobre mudança, enfrentamento e superação. Ao acompanhar personagens que precisam sair de sua zona de conforto, enfrentar desafios internos e externos e se transformar ao longo do caminho, o espectador ativa esquemas, crenças e estratégias de coping semelhantes às suas, reconhecendo seus próprios processos emocionais, diferentes fases da vida e favorecendo identificação emocional, aprendizagem vicária e flexibilização cognitiva.

Outro fator central reforçado por O Senhor dos Anéis, tanto nos livros quanto nos filmes, é o forte senso de pertencimento construído ao longo da narrativa. A jornada não é vivida de forma isolada, mas sustentada por vínculos, alianças e cooperação. “A obra mostra que ninguém atravessa desafios significativos sozinho. O pertencimento ao grupo oferece segurança emocional, validação e força para enfrentar o medo e a incerteza”, afirma o psicólogo. Sob a ótica das TCCs, esse aspecto dialoga diretamente com a importância do suporte social como fator protetivo para a saúde mental e para a regulação emocional em contextos adversos.

Acioli também destaca que o universo de Tolkien apresenta, de forma acessível, temas centrais da psicologia, como o conflito entre impulsos e responsabilidade, a influência do poder sobre o comportamento humano, o papel do coletivo na superação de desafios e a importância do cuidado emocional em tempos de crise. “O anel, por exemplo, simboliza tentações internas, compulsões e desejos que precisam ser reconhecidos. Já a amizade entre os personagens mostra como o suporte social é fundamental para atravessar momentos difíceis, algo que a psicologia clínica observa diariamente”, complementa.

O retorno dos filmes aos cinemas não é apenas um evento nostálgico, mas também uma oportunidade de revisitar histórias que continuam oferecendo ferramentas simbólicas para compreender emoções, relações e escolhas. Para o psicólogo, isso ajuda a explicar por que O Senhor dos Anéis segue relevante mesmo após duas décadas.

By Jordan Vall

É jornalista, com uma maior atuação na cultura e entretenimento. Deu início a sua carreira na televisão, na TV Unifor, como produtor, repórter e apresentador do principal jornal da emissora universitária. O profissional já foi produtor e comentarista de um quadro do Programa Matina, na TV União. No “Deu O Que Falar”, quadro semanal da emissora aberta, comentava sobre o mundo dos famosos, levava pautas relevantes para a sociedade, através das notícias das celebridades. Foi durante 2 anos, produtor, diretor e repórter na TV Otimista e atualmente é assessor de comunicação, CEO na Assertiva Comunicação e Colunista do Portal Conexão Magazine (Portal de Notícias no Rio de Janeiro). O jornalista também é apresentador do Mesa de Negócios no Grupo Opinião Ceará. Como amante da moda, foi convidado para ser jurado da 6ª e 7ª edição do Salão de Moda Ceará. Além de todas essas atuações, Jordan é CEO/Fundador e repórter no IN Fluxo Portal, tratando de pautas culturais, cobertura de eventos e muito mais. O profissional também atua como modelo e influenciador digital. Instagram: @jordan_vall / contato comercial: jordanvall@influxoportal.com

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