A artista visual cearense Ana Cristina Mendes abre, no dia 25 de outubro, a exposição Cosmologia Tecida no espaço Massapê, em São Paulo. A mostra reúne trinta obras que exploram temas como ecologia, o feminino e as relações entre espécies humanas e não-humanas.
A pesquisa da artista parte de experiências ligadas à natureza e à ancestralidade, com destaque para o Rio Jaguaribe, no Ceará, e memórias de mulheres de sua família. Em destaque, a instalação Bicho do rio, composta por elementos colhidos em Jucás (CE), sua cidade de origem.
Com curadoria de Lucas Dilacerda, as obras revelam uma imersão profunda na relação entre corpo, natureza e tecido, que conecta todos os seres, convidando o público a adentrar em uma memória que ultrapassa o tempo linear, fluido mas também convergente, como a própria água. Em Cosmologia Tecida, o público é convidado a entrar em contato com materialidades de diferentes texturas e cores, além de experimentar uma imersão por meio de obras de grande porte.
As questões trazidas pelos trabalhos estabelecem um diálogo direto com as discussões dos debates atuais e urgentes sobre o meio ambiente. A pesquisa de Ana parte da imersão do corpo na natureza e deságua em várias linguagens artísticas, como desenho, escultura, pintura, vídeo-performance e instalações, que desvelam, sobretudo, a força primal da memória e da ancestralidade.
Sobre Ana Cristina Mendes
Artista-pesquisadora, mestra em Artes pelo PPGArtes ICA-UFC. Desenvolve sua pesquisa corpo-paisagem tendo o feminino, a natureza e a subjetividade como eixos, relacionando-os ao tecido como lugar de transformações, transmutações de seres em novos corpos, multiespécies, paisagens. A partir de experiências imersivas, sua poética transita do individual às ações colaborativas em performances e desdobramentos em outras linguagens. Discute memória, matéria e ancestralidade em recorrência no espaço-tempo e nas coisas ao derredor, do cotidiano, isto sob a perspectiva do universo feminino, da ausência que move corpos e histórias. Participou de exposições coletivas, individuais, residências artísticas em âmbito nacional e internacional. Foi premiada em duas edições da Unifor Plástica (2205 e 2011), Secultfor (2010/2011) e Minc (2015). Foi selecionada para o Salão de Abril em 2024 e 2025 e é artista colaboradora da Ponte Cultura Alemanha/Brasil
