As sequelas sobre o cérebro – você sente esses sintomas?
Em 11 de março de 2020, a COVID-19 foi oficialmente classificada como pandemia. Cinco anos depois, os reflexos do vírus ainda permanecem na vida de milhões de pessoas em todo o mundo. O fenômeno conhecido como COVID longa, ou síndrome pós-COVID, já é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pode atingir de 10% a 20% dos infectados. No Brasil, levantamentos apontam que até metade dos diagnosticados relatam sintomas persistentes.
Entre os sintomas, os que mais preocupam são os de ordem neurológica e cognitiva:
- Névoa cerebral
- Dificuldade de concentração e memória
- Ansiedade e depressão
- Fadiga intensa
- Distúrbios do sono
- Dores persistentes
Um estudo da University College London (UCL) revelou que a dor crônica está presente em 26,5% dos pacientes com COVID longa, frequentemente associada a alterações emocionais e cognitivas.
O impacto no cérebro é tão relevante que especialistas já falam em uma “pandemia silenciosa” de transtornos neuropsiquiátricos. Mulheres, idosos e pessoas de baixa renda estão entre os grupos mais afetados, com sintomas mais severos e duradouros.
O que dizem os especialistas?
Para o neurologista Dr. Luiz Severo, a sociedade ainda está apenas começando a dimensionar a gravidade desse quadro:
“Estamos diante de um desafio que vai além da fase aguda da COVID-19. Muitos pacientes que já não têm o vírus ativo continuam sofrendo com sequelas que comprometem a memória, o sono, o humor e até a capacidade de trabalhar. É como se houvesse uma segunda onda invisível, que atinge silenciosamente a saúde mental e neurológica da população”, alerta o médico.
Segundo ele, a boa notícia é que a ciência já oferece alternativas de tratamento.
Caminhos para o tratamento
O enfrentamento da COVID longa exige uma abordagem interdisciplinar, que envolva desde a reabilitação física até o suporte psicológico. Entre as soluções em destaque estão:
🔹 Neuromodulação não invasiva – técnicas como a Estimulação Magnética Transcraniana (TMS) e a Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (tDCS), com resultados promissores em depressão, fadiga e névoa cerebral.
🔹 Estimulação do nervo vago – capaz de modular inflamação, melhorar sintomas cognitivos e atuar no equilíbrio do sistema nervoso autônomo.
🔹 Reabilitação cognitiva e física – combinada a estratégias de economia de energia e treino de memória.
🔹 Suporte psicológico e práticas integrativas – fundamentais para reduzir ansiedade, estresse e melhorar a qualidade de vida.
Um futuro de acolhimento e tecnologia
Cinco anos depois do início da pandemia, os aprendizados são muitos, mas os desafios permanecem. Para o Dr. Luiz Severo, a resposta precisa unir ciência, tecnologia e empatia:
“Não basta reconhecer a COVID longa, precisamos oferecer acompanhamento adequado. Quando o paciente tem acesso a terapias modernas e a um olhar humanizado, as sequelas podem ser significativamente reduzidas. Esse deve ser o compromisso da saúde nos próximos anos.”
👉 A COVID-19 mudou o mundo e nossas vidas. O caminho daqui para frente passa por cuidar das sequelas invisíveis, com atenção especial ao cérebro e à saúde mental, para que possamos superar não apenas a pandemia, mas também seus efeitos mais duradouros.
