O Brasil registrou aumento de 18,9% nos pedidos de falência no primeiro semestre de 2025 em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da Serasa Experian. Ao mesmo tempo, cerca de 8,7 milhões de empresas estão inadimplentes no país, acumulando aproximadamente R$ 204 bilhões em dívidas. Os números revelam a deterioração financeira de parte do setor produtivo e acendem um alerta para empresários que ainda ignoram os primeiros sinais de crise dentro das empresas.
Marcos Pelozato, advogado, contador e especialista em reestruturação empresarial com 14 anos de atuação no setor, afirma que a falência raramente acontece de forma abrupta. Segundo ele, a quebra costuma ser precedida por uma sequência de sinais financeiros e operacionais que surgem meses antes do colapso definitivo. “Quase sempre existem indicadores claros de que a empresa está entrando em um ciclo de deterioração. O problema é que muitos empresários ignoram esses sinais ou acreditam que a situação vai se resolver com o tempo”, afirma.
Dados do governo federal indicam que o Brasil possui mais de 19 milhões de empresas ativas, a maioria formada por micro e pequenos negócios, segmento mais vulnerável às oscilações econômicas e às dificuldades de acesso ao crédito. Para especialistas em reestruturação, a combinação entre gestão pouco profissionalizada e pressão financeira tem acelerado o fechamento precoce de empresas no país.
Marcos explica que, antes da falência, muitos negócios passam por um processo previsível de perda de liquidez e desorganização administrativa. “Quando o empresário consegue identificar esses sinais com antecedência, ainda existe espaço para renegociar dívidas, reorganizar custos e preservar a atividade econômica”, diz.
O especialista aponta cinco medidas para evitar que a crise leve empresas à falência
Quando os primeiros sinais aparecem, especialistas recomendam adotar medidas práticas de reorganização financeira para evitar o agravamento da crise.
- Fazer um diagnóstico financeiro completo
Mapear fluxo de caixa, dívidas, custos e margens de lucro para entender a real situação da empresa. - Renegociar passivos rapidamente
Buscar acordo com bancos, fornecedores e credores antes que a dívida se torne impagável. - Revisar estrutura de custos
Eliminar despesas que não contribuem diretamente para a geração de receita. - Reavaliar preços e margens
Evitar vender com margens negativas apenas para gerar faturamento imediato. - Buscar orientação especializada
Consultorias em reestruturação empresarial podem ajudar a reorganizar dívidas e redefinir estratégias.
Identificar os sinais de alerta é apenas o primeiro passo para evitar a falência. Especialistas defendem que empresários iniciem um diagnóstico completo da empresa assim que surgirem os primeiros indícios de desequilíbrio financeiro.
A análise deve incluir fluxo de caixa, estrutura de custos, passivos tributários, dívidas bancárias e contratos com fornecedores. A partir desse levantamento, é possível avaliar a viabilidade econômica do negócio e definir estratégias de reorganização financeira.
Segundo o especialista, a atuação preventiva costuma ser decisiva para a sobrevivência da empresa. “Quando o empresário busca orientação logo nos primeiros sinais de crise, conseguimos renegociar dívidas, reorganizar a estrutura financeira e ajustar o modelo de operação antes que a situação se torne irreversível.” destaca.
Como contratar assessoria especializada
A contratação de consultorias ou profissionais especializados em reestruturação empresarial tem se tornado uma alternativa para empresas que enfrentam dificuldades financeiras.
Especialistas recomendam avaliar a experiência prática da equipe, o histórico de atuação em reorganização de empresas e a capacidade de integrar diferentes áreas, como direito, contabilidade e gestão financeira. “Reestruturação empresarial exige visão multidisciplinar. Não basta olhar apenas para números ou apenas para questões jurídicas. É preciso integrar essas frentes para encontrar soluções viáveis para o negócio”, explica.
Para ele, o maior desafio ainda é cultural. Muitos empresários só procuram ajuda quando a situação já está avançada. “A prevenção ainda é pouco valorizada. Quando o problema é identificado cedo, as chances de salvar a empresa são muito maiores.” conclui.
