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40% dos brasileiros já aceitam que a IA compre por eles, mas 95% temem riscos de segurança, mostra pesquisa

Crédito: Freepik

Quase metade dos brasileiros aceita que a inteligência artificial faça compras em seu lugar. Ao mesmo tempo, 95% afirmam ter algum nível de preocupação com segurança e privacidade. Com datas como o Dia do E-commerce (12/03) e do Dia do Consumidor (15/03) batendo à porta, os dados revelam que a adoção dos agentes autônomos avança — mas sob desconfiança.

Segundo levantamento da agência Conversion em parceria com a ESPM, 40% dos brasileiros afirmam aceitar que a IA faça compras por eles. A pesquisa, realizada com 400 consumidores brasileiros conectados à internet, revela ainda que 57,5% dos entrevistados já utilizaram IA para pesquisar produtos antes de comprar, e 44,2% admitiram ter mudado sua decisão de compra com base em recomendações de ferramentas de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, 93,8% dos entrevistados já utilizaram alguma ferramenta de IA generativa, e quase metade (49,7%) as usa diariamente.

IA na jornada de compra: de apoio à autonomia

Esse dado dialoga diretamente com o estudo Pós-Black Friday, da MindMiners, que constatou que 1 em cada 3 compradores (31%) já utilizou ferramentas de IA para comparar preços e escolher produtos durante a Black Friday. Além disso, 8% afirmaram não saber sequer que era possível usar IA para esse fim, indicando um potencial de adoção ainda maior nos próximos anos.

“O consumidor que usa IA exige velocidade, personalização e contexto. O mercado de software para o varejo, por exemplo, já evoluiu para atender essa demanda, com ferramentas de monitoramento dinâmico de preços e sistemas de cobrança inteligentes que combinam agilidade e segurança”, afirma Fernando Neto, COO da B2B Stack.

Na prática, a evolução tecnológica está deslocando o papel da IA dentro da jornada de compra — de ferramenta de apoio para agente ativo de decisão. Esse movimento, segundo especialistas, altera não apenas a experiência do cliente, mas o próprio modelo de relacionamento entre marcas e consumidores.

Para Kenneth Corrêa, palestrante de Inteligência Artificial, especialista em dados, professor de MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV) e autor do livro Organizações Cognitivas: Alavancando o Poder da IA Generativa e dos Agentes Inteligentes, a mudança é estrutural. “Estamos vivendo a transição do consumidor reativo para o consumidor assistido. A IA não apenas apoia a decisão, ela começa a tomá-la de forma autônoma em nome do usuário. O desafio para as marcas é que os agentes de IA escolham, ao invés dos concorrentes. 

95% dos brasileiros demonstram preocupação com segurança ao usar IA em compras

A aceleração da IA no consumo não vem sem tensão. O mesmo levantamento da Conversion e ESPM aponta que, no Brasil, 95% dos entrevistados demonstram algum nível de inquietação relacionado ao uso de agentes de IA em compras, com preocupações que vão desde compras não autorizadas e decisões equivocadas até perda de controle financeiro e fraude. O dado é ainda mais expressivo do que a média global e reforça que a adoção plena dos agentes autônomos de compra depende de um novo contrato de confiança entre plataformas, marcas e usuários

Para Fernando Corrêa, especialista em segurança cibernética e governança corporativa e CEO da Security First, o desafio vai além da tecnologia. “Confiança digital não se constrói com avisos legais, mas com arquitetura segura e transparência real. Se a IA executa uma compra, precisa ser absolutamente segura. Uma falha compromete não só o usuário, mas toda a cadeia do e-commerce”, afirma. 

Na prática, a possibilidade de delegar decisões de compra a agentes autônomos amplia a exposição a riscos e exige uma revisão dos processos internos das empresas — da infraestrutura tecnológica às políticas de governança de dados. Não se trata apenas de adotar a ferramenta, mas de preparar a operação para um novo nível de autonomia.

Rodrigo Cruz, Vice-presidente de Estratégia de Crescimento e Inovação de Portfólio da Keyrus no Brasil, acrescenta a perspectiva das empresas. “A IA já faz parte da operação de muitas empresas no varejo, mas quando falamos de compras feitas por agentes inteligentes o nível de responsabilidade aumenta. O ponto central passa por estruturar dados e governança para garantir que essas decisões automatizadas aconteçam com segurança, consistência e principalmente responsabilidade com o consumidor”.

Consumidor mais exigente usa a IA como copiloto financeiro

A digitalização dos pagamentos e das finanças pessoais mudou a forma como o brasileiro se relaciona com o dinheiro — e esse movimento ajuda a explicar a abertura para compras mediadas por inteligência artificial.

Segundo a pesquisa “Do PIX ao planejamento financeiro: como a tecnologia está mudando nossa relação com o dinheiro”, conduzida pela Lina Open X por meio da plataforma de consumer insights da MindMiners, 72% dos brasileiros afirmam que a tecnologia contribui para melhorar sua relação com as finanças.

O dado indica um consumidor mais confortável com soluções digitais e mais atento ao controle do orçamento. Nesse contexto, a IA deixa de ser apenas ferramenta de conveniência e passa a atuar como um “copiloto” financeiro, capaz de comparar preços, organizar informações e até executar transações.

Esse avanço ocorre em paralelo a uma transformação mais ampla no sistema financeiro brasileiro, como destaca o CRO da Azify, Gustavo Siuves. “Estamos vivenciando a maior transformação do sistema financeiro brasileiro em décadas. O PIX democratizou os pagamentos instantâneos, as criptomoedas trouxeram uma nova classe de ativos digitais acessível a todos, e agora vemos essas fronteiras se expandindo globalmente”

Para Alan Mareines, CEO da Lina Open X, a consolidação dessa infraestrutura é o que torna viável a automação das compras. “Quando a IA passa a ser o agente que decide e executa a compra, o pagamento precisa ser instantâneo, confiável e rastreável. O PIX e o Open Finance se consolidam nesse cenário como infraestruturas que viabilizam a compra autônoma via IA, rápida, sem fricção e com mais controle para o usuário.”

Google aposta nos agentes de IA fazendo com que o e-commerce entre na era conversacional

Com 32,3% dos usuários relatando diminuição nas buscas no Google desde que começaram a usar IA, conforme o estudo da Conversion e ESPM, o Google anunciou recentemente um pacote de recursos de IA voltados ao varejo, com três lançamentos que sinalizam a direção do mercado. 

Gemini Enterprise for Customer Experience, que permite que marcas criem agentes de IA baseados no próprio catálogo; o Business Agent, que permite que consumidores conversem diretamente com marcas dentro da página de busca; e as Compras diretamente pelo Gemini, que permitem buscar, comparar e comprar produtos diretamente via IA usando o Google Pay. A jornada de compra está migrando das listas de resultados para as conversas. 

Kenneth Corrêa avalia que essa transição é muito mais profunda do que uma mudança de canal. “Estamos saindo de um modelo em que o consumidor buscava informação e chegando a um modelo em que agentes de IA pesquisam, comparam e executam transações de forma autônoma. Isso reconfigura completamente a lógica de descoberta de produtos e marcas. As empresas que construírem presença relevante nas respostas de IA hoje — com dados estruturados, autoridade temática e conteúdo confiável — estarão construindo o canal de vendas do amanhã. É uma janela estratégica que se fecha à medida que o mercado amadurece.”

“O modelo de vendas baseado em captura de atenção está sendo substituído por um modelo de vendas contextual que está cedendo espaço para um modelo de assistência inteligente. O consumidor não quer ser convencido — ele quer ser bem orientado. E isso exige das marcas uma mudança de mentalidade: menos foco em promoções de impacto imediato, mais investimento em presença de qualidade nos ambientes onde a IA busca e recomenda. Quem constrói autoridade nesse ecossistema hoje está construindo receita previsível amanhã”, analisa o  professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), palestrante e CEO da Receita Previsível, Thiago Muniz.

O novo pacto entre IA, marcas e consumidores

O consumidor brasileiro já está pronto para usar IA nas compras, e, em muitos casos, já a usa. Mas a adoção plena de agentes autônomos de compra depende de um novo contrato de confiança entre plataformas, marcas e usuários.

Thiago da Mata, CEO da Kwara, vê nesse perfil uma transformação estrutural na forma como as experiências de compra são mediadas. “A IA já está presente na jornada de compra muito antes de o consumidor perceber. A curadoria de produtos em plataformas digitais funciona cada vez mais como os algoritmos das redes sociais: você não precisa buscar o que quer, o sistema aprende seus padrões e entrega o que é relevante para você. É o mesmo princípio que o TikTok aplicou ao conteúdo, agora chegando ao varejo e ao consumo”, destaca.

pesquisa da Conversion e ESPM é explícita: 96,5% dos usuários reconhecem ganhos ao utilizar IA, não apenas em produtividade profissional, mas na própria experiência de consumo, com mais agilidade na pesquisa de produtos, melhores comparações de preço e decisões de compra mais informadas. No entanto, uma parcela considerável ainda demonstra preocupação com privacidade. A lacuna entre utilidade e segurança é o terreno onde o mercado precisará avançar, e onde as marcas mais preparadas encontrarão diferencial.

A comparação deixa de ser manual para ser automatizada, elevando o padrão de exigência e reduzindo o espaço para o discurso vazio. Segundo a MindMiners, 1 em cada 3 brasileiros já utilizou IA para comparar preços na Black Friday, e a tendência é que esse comportamento se normalize em toda a jornada de compra. O Dia do E-commerce e o Dia do Consumidor marcam não apenas datas do calendário do varejo, mas o início oficial de uma nova era de compras: mais inteligente, mais exigente e, cada vez mais, mediada por máquinas que aprendem.

By Jordan Vall

É jornalista, com uma maior atuação na cultura e entretenimento. Deu início a sua carreira na televisão, na TV Unifor, como produtor, repórter e apresentador do principal jornal da emissora universitária. O profissional já foi produtor e comentarista de um quadro do Programa Matina, na TV União. No “Deu O Que Falar”, quadro semanal da emissora aberta, comentava sobre o mundo dos famosos, levava pautas relevantes para a sociedade, através das notícias das celebridades. Foi durante 2 anos, produtor, diretor e repórter na TV Otimista e atualmente é assessor de comunicação, CEO na Assertiva Comunicação e Colunista do Portal Conexão Magazine (Portal de Notícias no Rio de Janeiro). O jornalista também é apresentador do Mesa de Negócios no Grupo Opinião Ceará. Como amante da moda, foi convidado para ser jurado da 6ª e 7ª edição do Salão de Moda Ceará. Além de todas essas atuações, Jordan é CEO/Fundador e repórter no IN Fluxo Portal, tratando de pautas culturais, cobertura de eventos e muito mais. O profissional também atua como modelo e influenciador digital. Instagram: @jordan_vall / contato comercial: jordanvall@influxoportal.com

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